Em meio ao tumulto da sala, o menino franzino inicia a explicação, com riqueza de detalhes, sobre a forma de confeccionar, manusear e apreciar aquilo que para ele nada há que se iguale em prazer. Nem mesmo a doce presença do sexo oposto em sua cama é capaz de lhe proporcionar a felicidade que o objeto em questão lhe concede aos montes.
Todos ao seu redor ouvem embevecidos, e as risadas fazem alarido de torcida, face à postura do garoto que gesticula bastante enquanto fala, e cuja expressão apaixonada no rosto faz até com que vire os olhos ao lembrar como é prazerosa a vida ao lado dela. Furor causando ainda mais barulho entre a assistência alvoroçada a pedir que conte mais. Auxílio precioso, em boa hora, para conter a turba normalmente indócil, agora de olhares e ouvidos atentos.
Fala também dos amigos, companheiros de brisa, e o que se percebe no relato é um grupo que idolatra da mesma forma aquilo para o qual nascera o pirralho magro. E ele prossegue, descrevendo com minúcias a confecção de uma vela ou cone, apelidos atribuídos à coisa. Aquela que lhe faz esquecer da vida, esquecer de tudo, até mesmo que vive, que respira. Seus pés parecem flutuar um palmo acima do solo, segundo conta. E sempre faz muito gracejo para contar, claro.
Narra com a mesma paixão e orgulho as abordagens sofridas pela lei que se mostra, ao mesmo tempo, implacável e tolerante. E os jargões utilizados entre um e outro, justiça e contraventor, fazem esquecer que falamos o bom e velho Português. É preciso que se traduza uma ou outra palavra, cujo significado se perde em meio à confusão de gírias, quando nem mesmo o contexto ajuda na tradução.
O comportamento daquela criatura, a bem da verdade, denota um ritmo mental imposto por ela, a cannabis, que fez do jovem seu escravo de cérebro lerdo que impede seu crescimento. E, ao analisar esse perfil, custa-me a acreditar que esteja acontecendo um movimento em favor da legalização do consumo daquilo que pisa fundo no freio da mente, tornando-a cada vez mais calma, de pouco raciocínio, e de consciência minguada. Oh! Mas o álcool e o cigarro também são prejudiciais e de consumo livre, dirão alguns! Além do mais, disse o figurão, na Holanda há locais autorizados para o consumo da droga. Mas Brasil não é Holanda. Seu tamanho e a população de suas cidades, não possibilitariam o controle como ocorre na Europa. E tudo isso aliado à falta de educação de quem aprecia uma maconhazinha, transformaria essa licença num oba-oba verde e amarelo, despertando, inclusive, o interesse do populacho para outros tipos de sensações, ainda mais perigosas.
Resta a pergunta, a mesma que não quer calar: por que provocar a demência de um povo, dando a ele permissão para se drogar, quando o certo é lhe dar educação de qualidade para que saiba discernir e recusar o consumo dessa ou de qualquer porcaria que restringe seu pensamento? Suspeitíssimo!
PROF.RODOLFO DE SOUZA
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