Senhor Presidente:
Este apelo é dirigido a V.Exa. e, por seu intermédio, às autoridades de qualquer escalão, desde que autoridades, assim como para todo indivíduo deste e também de outros países.
Ocorre que estamos, eu e os demais bichos, incluindo o bicho homem, enfrentando um grave problema proveniente da alteração climática que se originou do excessivo acúmulo de gás carbônico na atmosfera do planeta. Fenômeno produzido pelo desenfreado crescimento tecnológico que muitos benefícios trouxe para sua raça, em contrapartida aos malefícios relegados à minha gente. Mas nada pode deter a evolução da mente humana, todos sabemos.
Entretanto, senhor, nós, seres irracionais, não temos inteligência para entender qual a vantagem de se tocar fogo em nosso lar e enchê-lo de fumaça, considerando estar a humanidade vivendo no mesmo quintal e, portanto, exposta ao mesmo perigo. Se este flagelo afetasse somente os animais, por certo desapareceríamos da face da Terra em nome do poder econômico, devastador poder econômico. Mas vocês estão conosco nesta canoa furada! Desculpe a ignorância que não nos permite compreender tamanha burrice, ou melhor: tamanha humanice. Atentar contra a vida do próximo é típico do ser humano, mas atentar contra a própria?
A sugestão para conter o desvario climático que ora se apresenta é fruto da parca sabedoria dos animais que, em reunião para discutir o assunto, decidiram que a melhor ou única forma de frear o sinistro é cessar imediatamente todos os meios pelos quais o gás, objeto deste clamor, é produzido.
Claro que a ingenuidade de quatro patas não sabe que uma freada brusca a 150 km por hora faria bater no pára-brisa do progresso a cara das civilizações do mundo todo, tão dependentes dos produtos poluidores, e que o dinheiro que gira a roda destes deixaria de movimentar a máquina mundial, com resultados também desastrosos.
Mas é preciso fazer algo! Que tal começar por cuidar das nossas matas, nós que ainda temos, não permitindo que sejam derrubadas e incendiadas? E se o homem, responsável pelo desequilíbrio que fatalmente o levará ao aniquilamento, passasse a plantar mais árvores, sujar menos, heim? Mas é tudo tão difícil, né: controlar, fiscalizar, comandar, impor e se impor, fazer leis e exigir que se cumpram… Trabalho, sem dúvida, muito árduo.
Se ao menos seu povo fosse dotado do tênue raciocínio animal, quem sabe pudéssemos viver por mais tempo em um mundo fresquinho onde as onças, por exemplo, pudessem correr em liberdade, longe do perigo de ter a vida abreviada por um inescrupuloso ser inteligente em busca de um troféu feito de pele pintada.
PROF.RODOLFO DE SOUZA
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