O governo pretende enviar para as escolas uma cartilha, teria dito o homem do telejornal. Mas nada de be-a-ba na tal cartilha. Somente um texto que ensina como tratar adequadamente um ser humano que optou por transar com alguém do mesmo sexo. Aliás, também estranha essa história de se escrever com “s” transar, transação, trânsito… Logicamente que não convém aqui criticar as regras gramaticais, já que o objeto de discussão é um relacionamento cada vez mais comum e que já não é causa de espanto no seio da plateia hétero, o que também faz crer que tenha havido excesso de zelo governamental nessa medida, até porque editar um conjunto de procedimentos para se lidar com uma situação que já foi das mais delicadas, toca as raias do exagero. Uma campanhazinha teria sido mais do que suficiente. Inclusive, é até bom falar baixo para não cair em desgraça como o deputado que antecipou seu folhetim para explicar à população que tal cartilha tem tudo para ser danosa à mente das crianças, por servir como incentivo à promiscuidade. Deu o que falar. A comunidade arco-íris chiou. Tem lá suas razões, diga-se de passagem. Assim como os não simpatizantes têm lá as suas. E eu, claro, não tenho autoridade para julgar este ou aquele. Meu protesto é somente contra o barulho que se faz quando se sabe que a sociedade deixa de notar o que é corriqueiro, e preocupação em demasia, serve apenas para colocar mais lenha na fogueira dos embates, aumentando a dimensão, o alcance de todo tipo de preconceito. Deixe correr, e a polêmica desaparecerá quando tudo parecer absolutamente normal. Por isso é bom que se trate a conversa com a naturalidade que o bom senso manda. Tocar exageradamente num assunto, coloca-o sempre na crista da onda e difícil se torna lidar com ele quando está na boca do povo. Fazer caderninho explicando em detalhes a linha de conduta com relação aos costumes humanos, é mais uma forma de discriminar. É o mesmo que reservar quotas de vagas universitárias para negros. Ou é preciso chamá-los afro-descendentes? Outra bobagem. Eu tenho raízes espanholas e não sou chamado de espano-descendente. Nem meu amigo Japa, é chamado nipo-descendente.
Convenhamos, caro leitor, discutir o sexo dos anjos é prática de pessoas que não têm muito o que fazer. Nós, que temos problemas demais aqui em casa, não podemos gastar nosso tempo com a ladainha que diz respeito ao dispendioso trem bala e outros trens mais. Tanto o governo, como o deputado, que também é governo, erraram quando decidiram polemizar aquilo que já é polêmica. Deixa, pois, seguir a carruagem. É mais prudente.
PROF.RODOLFO DE SOUZA
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