O FIM DA PICADA

É preciso ocupar a mente humana com assuntos polêmicos para incrementar as vendas, conspiram os produtores de livros, filmes, programas de TV, e afins, que se beneficiam largamente com eventos que são, nas rodas, objeto de muita discussão. Fatos que em demasia povoam o cotidiano da população, parece, não promovem falatório suficiente, e há sempre uma preocupação maior em se criar algo novo, capaz mesmo de desbancar o bate-boca oriundo das artimanhas da política fanfarrona, da saia justa em que ela constantemente mete a nação, da enchente, da bala, do terremoto, da ventania…

E para colocar no chinelo notícias corriqueiras que fazem bocejar o entediado telespectador, que tal uma ideia que de pronto anuncia o fim do mundo? Foi justamente o trabalho de alguns historiadores, revirando inscrições da civilização Maia, que acabou por descobrir que há um dia marcado para o desfecho dessa vida, mais próximo, inclusive, do que se imagina. Instigante mesmo é o grau de conhecimento matemático e astrológico que detinha aquele povo que, diga-se de passagem, o coloca na frente dos demais em matéria de se prever o amanhã (teria previsto seu próprio aniquilamento?).

Outro segmento místico que endossa a trágica previsão do final dos tempos é representado por um grupo de para-normais dotados de igual poder de espiar o futuro e saber o dia e a hora do juízo final. Não haverá, segundo eles, festa na passagem para 2013, nem passagem. O que fazer com os fogos do Réveillon frustrado? Parece até mandinga de quem perdeu para o Brasil a sede da copa 2014 e das olimpíadas 2016.

Os mais velhos tranquilizam os mais jovens com a alegação de terem presenciado o apocalipse um sem número de vezes durante a existência. Mas a pouca idade teima em dar mais crédito à realidade cinematográfica, e os olhos inquietos espreitam os dados numéricos fornecidos pelos Maias, a despeito de ninguém ter explicado de fato como se dará o sinistro. E mesmo que o façam, consola ainda saber que aquela dívida contraída com prazo a perder de vista, em breve estará quitada. Convém até pedir desconto nos juros.

Tanto de estupendo, de belo tem criado a gente dessa Terra condenada que dá um nó na garganta imaginar tudo em ruínas, caso tenham razão os números. Logicamente que o feio, elaborado com o mesmo requinte, tem os dias contados também, com a catástrofe iminente, o que não deixa de ser bom, já que a voz da justiça, finalmente, se fará ouvir. Claro que o bem não viverá para conferir o desaparecimento do mal. Aliás, meio confusa essa trama filosófica entre bem e mal. Melhor não pensar nisso, não acreditar em previsão alguma e passar na casa dos amigos em primeiro de janeiro de 2013 para comemorar.

PROF.RODOLFO DE SOUZA

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