Conversava, há pouco, com um amigo que dedica todos os dias de sua saborosa vida à gratificante e bem gratificada profissão de lecionar, e o assunto dizia respeito a algo sobre o qual pouco se fala numa roda de profissionais da educação, em sala especialmente montada para o desabafo da classe. Discutíamos, então, a personalidade século XXI da garotada, matéria prima do nosso ofício. Falávamos, inclusive, sobre uma nova tática de repreensão a professores malcriados, que alunos destituídos de qualquer compromisso com os estudos, vêm desenvolvendo (detalhes mais adiante) em suas horas de folga (todas). Que orgulho ter uma arma eficaz de calar a autoridade da sala no momento da aula! E têm conseguido, fazendo uso deste recurso que logicamente formará golpistas, sonho de papai e mamãe quando colocam o pimpolho na escola pública.
Reclamava meu colega, da chateação de sentir no lombo a amarga experiência de mais esta artimanha da meninada, que lhe rendeu um pito com direito a relatório e tudo. Onde já se viu implicar com a criança cheia de saúde! Calhorda!
E ainda se enche de rancor, o cretino, que sonha executar com seriedade seu trabalho, tal qual um bom mecânico, pedreiro ou engenheiro. Fazer o que se escolheu errado a profissão? Agora use de bom senso e pare de aporrinhar a turminha com seu papo cabeça.
É possível até entender a amarga trajetória do aluno, coitado, desde que inicia sua jornada rumo à conclusão do ensino médio. São onze anos dedicados aos livros, tarefa nada fácil em que se aprende a rodopiá-los na ponta dos dedos, girando, girando até o último ano, época de receber o canudo, com direito a foto, beca e hino nacional. Imagine! Treina também, nesse tempo, a pontaria no arremesso de objetos em pessoas de seu convívio, especializa-se em desperdiçar o material que recebe gratuitamente, aperfeiçoa-se em depredar o equipamento construído para o seu conforto, torna-se craque nas mais ardilosas formas de desrespeito ao semelhante…
Infelizmente, contudo, não são todos os alunos que se dedicam a este vasto aprendizado. Somente a extrema maioria. Umas poucas ovelhas negras ainda persistem em dar ouvidos à conversa fiada do professor. A elas nosso repúdio.
A estonteante dedicação daqueles à tão complexa atividade da farra que, certamente os levará ao crescimento, entretanto, não é suficiente para esconder o grito de dor e de revolta contra a atividade de estudar, complexo e repulsivo exercício que pode lhes causar um câncer no cérebro, caso persistam com essa ladainha de ensino, os facínoras que lá estão para se opor ao desenvolvimento intelectual que só a brincadeira pode trazer.
Já está na hora dessa leva de sádicos diplomados deixar em paz a criatura que foi matriculada na unidade escolar somente para desenvolver a arte da anarquia sem limite. Apesar de que ela é esperta e tem lá seus meios para se defender. Desdobra-se em aperfeiçoar técnicas para botar a nocaute o sujeito que se coloca no seu caminho com a pretensa ideia de levar o conhecimento à mente pouco ou nada interessada. Uma delas, a mais nova, (aquela, sobre a qual falávamos no início) com certeza, foi inspirada nas telenovelas, cuja dramaturgia impecável levou a molecada a fazer biquinho, encher os olhinhos de lágrimas e falar com voz doce quando, diante do diretor, deve explicações sobre atitudes que extrapolaram qualquer expectativa de bagunça, sempre bem intencionada. O texto da aula, eles não aprendem, mas este eles falam com desembaraço: “eu sei que nossa sala é a pior, mas nós somos gente também e merecemos respeito” (sniff!!) É de partir o coração!
PROF.RODOLFO DE SOUZA
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