O PARQUE DA MINHA CIDADE

O parque verde convida para o passeio. Em meio a árvores antigas e vegetação farta estão as alamedas que cortam pequenos lagos de carpas e tartarugas. Os pássaros voam por toda parte, mas sempre com o cuidado de não deixar as dependências de água e vasto arvoredo. A vontade de caminhar por este lugar é sentimento que bate, logo que se chega. É magia a encher a alma urbana.

Ao redor de tudo isso, avenidas barulhentas e grandes edifícios pintam um quadro que faz os olhos se voltarem rapidamente para a natureza que ali presente mostra que reinava soberana antes do homem realizar sua obra. Hoje só lhe resta pequeno espaço no seio das cidades, concedido por ele, o ser humano, que agora, enjoado do cimento, deita e rola na liberdade que o cenário empresta. Uma vez lá, o cidadão vira moleque que, livre, não sabe o que fazer diante do novo, do que em nada lembra a parafernália digital.

O farfalhar das folhas, o vento fresco, o cheiro do mato, fazem esquecer, por instantes, o caos.

As crianças, habituadas ao artificial, celebram a terra, o espaço amplo, e correm. Tocam o chão de verdade com os pés descalços, maravilhadas com os cipós e as bromélias que habitam os troncos. Seus olhos apreciam, embevecidos, o rústico e descobrem que a vida não é feita somente de vidro, concreto e asfalto. E, de sobra, ainda contam com as quadras de futebol e, claro, o playground. Tudo na terra. Mãe terra, templo do tão amado jogo de bola e da brincadeira que não tem fim.

Ali o canto peculiar da água caminhando por entre as pedras, também faz lembrar regiões distantes dos grandes centros, onde ainda é possível vislumbrar um planeta de tempos remotos que, aos poucos, foi sendo transformado pelas mãos hábeis de quem jamais se considerou parte de sua natureza como qualquer bicho.

E as pessoas andam, correm, se refestelam por entre a folhagem espalhada pelo chão, a todo instante recolhida, que cumpre seu papel de cair da árvore e ser reposta por ela.

E toda a gente ali aprecia a ginástica, modismo dos tempos modernos que produz na mente humana aquela febre de se fazer saudável por meio do exercício físico.

E lá vai o pessoal, parque afora, cultuar o movimento. Depois param num local onde foram instalados aparelhos para endurecer, melhorar o desempenho, acabar com a flacidez, um sem fim de atividades milagrosas para colocar no lugar o que o tempo se encarregou de tirar.

Em conversas descontraídas, os grupos exercitam os corpos que já passaram dos cinquenta. Giram as pernas soltas no ar, em movimentos estranhos, para lá e para cá. Também torcem o tronco, com os pés fixos e os braços presos uns aos outros. Como hélices os braços ainda rodam, e as mãos, não se sabe por que, devem sacudir. Tudo em nome da saúde e da boa forma, a bem da verdade.

Na academia a céu aberto, esse povo pedala sem ir a parte alguma, faz todo tipo de ginástica em prol de conquistar aquele corpinho que, no fundo se sabe, jamais voltará, mas que está na TV e nas revistas. E, para tanto, não há melhor lugar neste mundo do que o parque, pedaço de natureza no meio do conforto da cidade do qual ninguém abre mão, claro.

 

PROF.RODOLFO DE SOUZA

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