POVO ARMADO, CRIME DOBRADO

Li em algum lugar que retorna em grande estilo a campanha para desarmamento da população. Imagine como ficará a criminalidade neste país finda esta campanha. Cairá a zero, com toda certeza. Afinal, povo desarmado, tranquilidade em alta. Veio, aliás, em boa hora esta medida, sobretudo porque não suporto mais ver tanta agressão no trânsito, no trabalho, na família, na escola, na igreja, no lazer, enfim, em toda parte onde um tiroteio pode ter início a qualquer momento. Dá o que pensar, inclusive, o destino de tanto sangue em embates tão duros. A ideia é fazer generosa doação ao banco, sempre carente – atitude humana que acabaria por beneficiar os próprios feridos.

O clima de barbárie promove a violência aqui e ali, tal qual o acontecimento que há pouco deixou perplexa a gente que viaja de coletivo: um sujeito teria arrancado o dedinho do pé de outro com um tiro de bazuca, por causa de um pisão no tumulto de uma condução lotada. Onde já se viu? Em outro momento, alguém ficou com um galo na cabeça por ter sido atingido por uma granada perdida. Por isso, AR-15, escopetas e outros artefatos que também pesam na mochila do cidadão e dividem o espaço com a marmita, devem ser entregues ao governo, sem demora. Até bolsa de mulher, normalmente tão pesada, tende a aliviar a agradecida coluna feminina.

Descansaremos todos, finalmente. Paz para os mortos que terão uma considerável redução do contingente que, de alguma forma, deve superlotar o além, e paz para os vivos que entregarão até suas facas de cozinha em prol da felicidade geral. É tanto sossego que até preocupa a aparição de alguma alma penada só para chatear.

Por falar nisso… O que fazer com aquele sujeito apegado à coisa, que dela não abre mão porque lhe é necessária no árduo trabalho de se apropriar de objetos alheios? Ele, por certo, se recusará a colaborar, por não compartilhar com os demais de tão nobre anseio. Teme pelo fracasso do seu ganha pão, possível até de entender. Chega a desconfiar que terá de arrumar outro meio de faturar o sustento, caso resolva se desfazer do berro. Logicamente que, para não ficar à míngua, pensa o meliante em candidatar-se a um cargo político, como forma mais segura e agradável de tocar a profissão.

O povo, de qualquer maneira, entregará revolveres, pistolas e afins, simplesmente porque não terá de quem se defender, já que não haverá brasileiro armado, só amado. Até policial deixará no batalhão o coldre, grato por não precisar atirar em ser humano qualquer.

Dignos comerciantes de produtos inebriantes, estes também não oferecerão perigo, exceto pelo objeto de seu negócio, claro, porque este continuará ceifando as vidas de cabecinhas cheias de brisa que ainda tombarão sem o auxílio providencial de uma arma de fogo, diga-se de passagem.

Sem dúvida, é preciso mesmo baixar a guarda para que possamos viver em paz. Até aquele povo calmo de determinada parte do mundo, já pensa em entregar tanques, lança mísseis e toda sorte de explosivos pessoais, para copiar o gesto brasileiro. Lindo, não?!        

 

PROF.RODOLFO DE SOUZA

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