Ouvi dizer que o próximo governo planeja incrementar com mais recursos o programa Bolsa Família. É muito importante, afinal, para o povo carente, algo que estimule produção e posterior manutenção dos pimpolhos na escola. Salário bem vindo este, tão bom como aquele do Bolsa Cadeia que ampara a prole do sujeito que cumpre pena por ter cerceado a existência terrena de outrem. Muito justo e até comovente, o cuidado governamental para com os herdeiros do crime. Todavia, perigoso, já que pode despertar na mulher a vontade de conduzir ao cárcere o companheiro que pende ao delito pouco rentável, somente para meter a mão no rico dinheirinho público. Se a moda pega!
Reflexões filosóficas à parte, porém, fato é que incentivos do gênero servem, de forma louvável, como trampolim para a pessoa deixar um patamar de extrema pobreza para algo não tão extremo, a despeito da tendência ao pouco trabalho que a grana fácil proporciona o que, em médio prazo, pode presentear a nação com uma tremenda dor de cabeça. Exemplo disso é o comentário estarrecedor que me chegou aos ouvidos sobre um indivíduo que perdera o direito ao benefício educacional depois de ter a carteira de trabalho assinada em um novo emprego. Segundo o relato, teria feito as contas, o desapontado trabalhador, e descoberto que pelo número de filhos em idade escolar, compensava mais demitir-se para, novamente desempregado, ter direito ao auxílio. É, nova profissão despontando aí!
Claro que, independente de qualquer desvio de conduta ocorrido, se a intenção é proteger o povo, permitir seu acesso aos bens de consumo, melhor mesmo que se dê continuidade ao tal programa. Até porque virou direito adquirido e, dificilmente alguém conseguirá tirar da boca do bebê a teta benfazeja. Além do que, todo mimo oferecido em prol da educação é digno de aplausos, embora a realidade das salas revele que para ser aceita a dádiva do conhecimento, é preciso algo mais. É preciso que o governo procure inovar, oferecendo um agrado ainda maior para que o estudo seja levado a sério, ao invés da costumeira brincadeira de roda. A ideia aqui sugerida, pois, é a criação do Bolsa Entrar e Permanecer na Sala, do Bolsa Prestar Atenção, do Bolsa Participar, do Bolsa Atividade, do Bolsa Respeito, do Bolsa Não Sujar, Não Depredar… Oxalá o jovem venha, a partir daí, tornar-se um estudante de verdade, adquirir aprendizado, evoluir e passar a enxergar um novo mundo onde bolsa é objeto produzido somente para carregar utensílios, não vidas.
PROF.RODOLFO DE SOUZA
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