Os mais antigos bem sabem que vestir uniforme e cantar o Hino Nacional eram práticas corriqueiras nas unidades escolares de antigamente, e ajudavam (como ajudavam!) a abrir suas portas para o respeito que era consolidado pelo ensino mais forte que cobrava resultados.
Só que o sistema da época, considerado elitista, privilegiava alguns que se desenvolviam a contento em prejuízo de outros que não conseguindo acompanhá-los, acabavam por desistir dos estudos. Pelo menos é o que afirmavam os cérebros da educação a quem coube a tarefa de reformar o setor. “É preciso que todos tenham a mesma oportunidade” – diziam. Exagero descabido, considerando que a maior parte buscava e conseguia a formação.
Tornou-se, então, mais justo o ensino com o novo método e todos ficaram retidos sob a ótica do aprendizado que ficou para trás na ciranda das aprovações.
A alegria que proporciona a fácil escalada rumo à formatura tropeça principalmente numa questão: a falta de conhecimento que promove o baixíssimo nível intelectual, tendo como prejuízo maior o fato de não evoluir a inteligência que, não estimulada, pouco exercita sua capacidade e permanece no obscurantismo. Estágio este que mantém fora do alcance do estudante do Ensino Médio, por exemplo, temas que, para sua compreensão, são necessários breves mergulhos na reflexão e muitos no pensamento.
A deficiência que faz o aluno pular etapas ao deixar de aprender as disciplinas do dia-a-dia, ano após ano, é oriunda de um jeito de levar a vida escolar que prioriza o social e a farra sem controle. Parece-lhe ótimo negócio, afinal, adquirir o canudo sem se dar ao trabalho de aprender. Até porque, por falta de costume, considera exaustiva a atividade de pensar.
Exemplo de inteligência que não experimentou o crescimento é a antiga alegação de que se a escola para ser boa deve reprovar, hospital, para mostrar competência, deve matar. Errado! A função primeira da instituição escolar não é e nunca foi reprovar, somente zelar pelo conhecimento ao alcance de todos.
Ao professor é imputada a responsabilidade pelo fraco desempenho do aluno que trás de casa o despreparo para a sala de aula e para a convivência em grupo. Logicamente que a generalização do comentário exclui a pequena parcela da população estudantil realmente comprometida com seu aprimoramento intelectual, permanentemente prejudicado pelo péssimo comportamento dos demais.
Aos inquisidores que ora condenam à fogueira os profissionais do ensino, resta a sugestão para que busquem uma sala de aula do ensino público para experimentar do amargo sabor do desrespeito e da escancarada falta de educação de pessoas matriculadas para aprender, mas que ocupam uma carteira somente para pôr em prática a violência contra o próximo, contra o material que lhe é fornecido gratuitamente e contra o equipamento. Fenômeno, aliás, criado por uma série de conjunturas que moldam o perfil do aluno, a começar pela excessiva condescendência com relação a delitos antes considerados graves, mas que ora são vistos somente como rebeldia de uma geração livre. Criou-se, afinal, a cultura de que ir à escola é preciso, estudar não é preciso. Banalizou-se a agressão barata.
Há, pois, uma crise estabelecida que aponta para o colapso do sistema que acabou com as elites no ensino público para deixá-las a cargo do particular. Congratulações às mentes brilhantes de outrora pela reforma que fez ruir as paredes da educação.
PROF.RODOLFO DE SOUZA
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