APOSENTADORIA PRECOCE

Este ano começou recheado de acontecimentos. Até o papa achou de renunciar para dar mais tempero aos fatos.

Sujeito de coragem deixou toda a aporrinhação e seguiu para o seu retiro, seu aconchego. O cargo ficou à disposição para um cardeal, quem sabe, mais moço, cheio de vontade de mostrar ao mundo para que veio. Não que Bento não fosse bom, mas convenhamos, a idade pesa, assim como um dia pesarão a minha, a sua e a do novo papa.

A atitude de Ratzinger fez surgir um bafafá tremendo capaz de causar cataclismo em todo o planeta. Pura bobagem. O homem, afinal, é homem como qualquer mortal que habita esta Terra. Teria lá suas razões: alegou velhice, fraqueza, cansaço… Logicamente que qualquer outro motivo que venha a mexer com os subterrâneos da igreja, só é de conhecimento dele e da cúpula, aquele teto redondo das catedrais que espia o que vai na cabeça dessa gente que veste batina.

Por causa dessa renúncia uma corrida silenciosa se fez notar rumo à rampa, a despeito de não haver rampa lá no planalto romano, talvez nem planalto. Significa, contudo, que um grande número de cardeais, homens sisudos metidos em suas fardas rubro-negras, que vivem dentro dos muros do clero, devem agora se reunir para a difícil decisão de escolher um dentre eles, que ficará com o comando da Santa Sé. Finge até não sonhar com o papado, cada um desses senhores, simulando preferência a este ou aquele, mesmo sabendo que glamour de tamanho quilate no meio religioso, não há. Claro que bate um sentimentozinho, afinal, são seres humanos e ser humano é sonhar com o brilho e o poder, sempre.

Engana-se, todavia, quem pensa que é mole a função de papa, com aquela aparência de padre bonachão, sempre com roupa de gala a acenar da janela ou fazer o sinal da cruz aqui e ali para uma platéia embevecida a chorar de tietagem. O cargo, diga-se de passagem, é político, cheio de pressão e responsabilidade, sem contar o jogo de influências que movimenta pedras num enorme tabuleiro o que, por certo, há de ter minado a saúde de Bento, coitado.

O Vaticano é nação que faz uso de um sistema antiquíssimo para comandar todas as igrejas católicas do mundo, cada uma delas com seu pároco a rezar missas em diferentes idiomas, com rituais que ele tenta adaptar à cultura local, ao modo de entender os dogmas, que cada povo tem.

Mas a pedra no sapato da igreja, em tempos modernos, provavelmente tenha surgido da proibição ao casamento imputada a esses líderes religiosos que também não podem se meter em qualquer ato libidinoso com o semelhante do sexo feminino. Seus olhos devem ver a mulher somente como uma ovelha do seu rebanho. Mé!

Mas como é difícil lidar com sentimentos em ebulição em que o fogo do homem manda que olhe, que deseje, que fantasie! Mesmo tendo feito lá seus votos, a renúncia de certos privilégios de macho tem virado a cabeça de muitos sacerdotes que colocaram a igreja numa saia justa tremenda. E as críticas são ferrenhas, assim como os processos que têm manchado seu nome, se acumulam por toda parte.

O segmento evangélico então, este tem crescido vertiginosamente, o que também não deixa dormir em paz os senhores do Vaticano.

PROF.RODOLFO DE SOUZA

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