CLAMOR DO PROFESSOR CATEGORIA “Ó”
Houve um tempo em que professor do Estado de São Paulo que ainda não havia se efetivado, era chamado ACT e, excetuando o fato de escolher por último as suas aulas, tinha praticamente os mesmos direitos de um concursado.
Posteriormente, porém, o governo cismou de dividir a classe dos não efetivos em categorias F e L, conforme o tempo de serviço, somente com o descarado intuito de promover uma divisão, uma ruptura, de forma a enfraquecê-la. Categoria L, então, ficou sendo a última na escolha.
Mas o pior estava por vir. O comando da educação e de todo o resto, já tinha traçado seus planos para criar outro tipo que viria abaixo da categoria L. E para isso foi inventando leis que lhe dessem suporte nesta nova empreitada. Todos sabem, afinal, que governos criam leis para ampará-los em suas medidas, sejam elas justas ou não. Foi assim que nasceu o profissional do ensino, categoria “Ó”, a quem foi imputado o dever de assinar um contratozinho de trabalho que o jogou lá na sarjeta do funcionalismo. Isto surgiu num determinado período que o patrão teria considerado adequado aos seus interesses, pegando de calças curtas o professor que, de repente, viu sua vida de cabeça para baixo, entregue ao gueto do magistério.
Reza o famigerado contrato, que o professor fica impedido de lecionar por duzentos dias, mesmo em caráter eventual, tão logo aquele seja extinto, um ano após a assinatura. Atitude truculenta imposta ao mestre com o nome antipático de duzentena.
Logicamente que a regra só se aplica às disciplinas que ainda possuem um número maior de profissionais, haja vista que quando a falta deles se faz notar, o tal contrato tem sua rescisão postergada, ficando, o professor por mais um ano em atividade. Findo este prazo, porém, o contrato deve ser encerrado para que o coitado não adquira vínculo com o estado, o que seria por demais dispendioso para os cofres públicos. Claro que esses homens, responsáveis que são, não desejam levar à falência o estado mais rico da união, investindo os recursos deste para melhorar o ensino.
Bota, pois, impiedosamente no olho da rua o professor, não lhe dando alternativa senão pedir a papai do céu que lhe conceda a felicidade de ser chamado pela escola particular onde deixara o currículo, ou ainda partir para o mercado de trabalho a fim de desempenhar função para a qual não possui prática, quando a encontra. Isto porque as contas do dia a dia não param para obedecer à duzentena.
Frustração, pois, é o sentimento que bate no peito depois de anos de estudo para atuar na educação, e depois ser obrigado a deixá-la por ter sido despedido e estar literalmente desempregado. Fazer o quê?
PROF.RODOLFO DE SOUZA
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