O noticiário informa que pessoas foram mortas na Síria por um míssil supostamente carregado com armas biológicas, aquelas que levam um bicho no bojo, capaz de adentrar o recinto orgânico e causar considerável estrago.
É, pois, no conforto de sua sala, bem longe do conflito e perto de outros, que o pacato cidadão assiste com olhar um tanto incrédulo, embora habituado, ao desenrolar dos fatos. Povo doido! – exclama ele. Quem em sã consciência, pensa vingar uma fechada no trânsito com um foguete desses? Por certo que uma desfeita mais bem arquitetada causou a pisa.
No Iraque alguns carros bomba teriam botado a nocaute o sopro da vida de gente que sequer pretendia combater este ou aquele em nome de causa qualquer. Difícil, inclusive, compreender essa ideia de que o homem deve explodir o semelhante em nome de uma causa ou religião, o que não deixa de dar no mesmo.
Curioso, entretanto, é que a matéria que veio a seguir no teleponto do homem do jornal, meio consternado ainda com os relatos, embora falasse de assunto diferente, não desfez a apreensão deixada pelo anterior. Tratava de uma fantástica impressora em 3D que foi criada para deixar uma pulga atrás da orelha, justamente porque surge no cenário digital como novidade que promete mais do que evolução, acena para uma verdadeira revolução em se tratando de conquista tecnológica. E o caso é ainda mais sério por possibilitar a produção caseira de qualquer artefato de plástico, material maleável de fácil manuseio que permite a construção daquilo que a imaginação mandar.
Logicamente que, em se tratando de Estados Unidos, onde primeiro apareceu, como tudo primeiro aparece, ninguém em absoluto pensou em produzir com a tal máquina um patinho para sua companhia na hora do revigorante banho de banheira. Tampouco alguém idealizou um charmoso suporte high tech para o papel higiênico. É evidente o motivo que fez brilhar os olhos azuis do gringo diante da descoberta genial. Amante inveterado de uma boa arma, americano é assim, aprecia o engenho como se este tivesse qualquer utilidade que não fosse matar, principalmente o ser humano. O apego é tão grande que são erigidos verdadeiros santuários aos rifles, revolveres, pistolas, escopetas… Nem imagino o motivo pelo qual admira sobremaneira o bumbum da mulher daqui o sujeito cujo AR-15, presente na intimidade da sua cama, tende a lhe provocar mais entusiasmo do que a fêmea provocaria. Resta-nos, pois, a indagação: por que chora essa gente quando um idiota lança mão de um instrumento desses para dar cabo de pessoas que sequer alcançaram o entendimento e o direito de decidir sobre a paz ao invés de cultuar a morte.
Não que em terra tupinambá não se tenha paixão por um artefatozinho bélico, que fique bem claro. Até porque, a mente pobre de conhecimento, peculiar à maioria do seu povo, tende sempre a pensar que o poder se não vem pela grana, vem pelo berro em punho.
Convenhamos, contudo, que foi gente de lá, com um bocadinho mais de leitura, que a reportagem mostrou apresentando, cheio de orgulho, a máquina e sua habilidade de construir peça importante de um rifle. É… Penso que vem de longe, dos tempos do velho oeste, este romance do homem com sua arma.
Todavia, em momento de tensão, corre o grande chefe, outrora branco, até a terra santa onde rola um eterno bafafá, para pregar a paz. Não teria ele receio de que aquele povo descobrisse como manufaturar a tal impressora no quintal de casa? É… Bombas atômicas de plástico! Imagine! Até o ditador de olhinhos rasgados há de trocar a sua velha HP.
PROF.RODOLFO DE SOUZA
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