Tema há muito discutido nas rodas e que desponta com certa frequência na telinha é a preocupante escassez de professores no ensino brasileiro. Problema que começou afetando a rede pública, agora dá sinal de sua nefasta presença também nas escolas particulares, já que a profissão promete mesmo desaparecer em curto espaço de tempo. Tudo indica que professor é bicho em extinção que nenhum órgão, governamental ou não, deseja proteger.
Cumprindo o seu papel de denunciar, o noticiário da TV que sempre exibe farta matéria sobre tudo, não poupou esforços para abordar assunto de sumo interesse da população. População que leciona, evidentemente. Até porque, a sociedade que almeja ver o filhinho médico ou engenheiro, imagina que seu pimpolho colocará a mãozinha no canudo, por conta própria, sem o auxílio do profissional do ensino, hoje com o nome de professor, amanhã talvez chamado dinossauro ou disco de vinil.
A reportagem falava, inclusive, da existência de unidades escolares de um estado do nordeste em que os alunos são dispensados no meio do período quase todos os dias, pela falta dele. Mas isso o professorado daqui ou de qualquer parte da pátria tupinambá, não considera novidade. Quem atua na área vê a coisa assumir proporções devastadoras há tempos, embora a autoridade competente vire a cara, fingindo não perceber o desastre ora iminente. A água por certo ainda não atingiu o seu quintal. Ainda.
Mais revoltante é imaginar a inquietação do grande cacique diante de uma greve do pessoal do metrô. Destacaria um exército para dar cabo da situação, embora considere coisa à toa o problema sobre o qual discorre esta nota. Até porque seu fiel eleitorado não vê com olhar atento esta questão, e é possível até que rotule de fatalista este escritor que julga premente a necessidade de se tomar atitude enérgica para conter o êxodo no magistério.
Logicamente que o responsável pela empreitada dispõe de um plano traçado para suprir a falta do profissional deste circo, cujo prestígio anda mais abalado do que o de pastores presidentes de certos departamentos governamentais.
E a sociedade sonolenta finge desconhecer o prejuízo. Talvez não considere realmente prejuízo ver vazia, pobre de conhecimento a mente do filho tão querido que será lançado na sarjeta da intelectualidade tão logo receba o canudo do ensino médio.
O sentimento eufórico com relação à economia desta pátria que desponta no cenário mundial como uma promessa, é outro paradoxo que remete ao problema ora discutido. Dá o que pensar o quanto durará a lenha da fogueira do progresso de uma nação que despreza sobremaneira o ensino.
PROF.RODOLFO DE SOUZA
Deixe um comentário