Tanta mania tem criado o homem em toda a sua história que algumas até viraram cultura, marca registrada de gerações ou de um povo. Claro que nunca, em tempo algum, criou tantas como ultimamente, até porque o advento tecnológico, hoje na crista da onda, veio mesmo para fazer a cabeça das pessoas, de tal forma que todo mundo adora um tempinho livre só para botar à prova o teclado e a paciência do celular que, coitado, sofre com o dedo frenético que não lhe dá sossego. Culpa do fabricante que espreme nos aparelhos tantos recursos que qualquer dia destes, por certo, esquecerá de instalar nele a função telefone. E o interesse pela brincadeira é tão grande que o distraído usuário é até capaz de não perceber a falta.
O responsável por esta febre é o mundo virtual que permite fugir da dura realidade para um lugar de devaneios, todo pessoal, em que se é possível viajar e sonhar e, sem o qual, está cada vez mais difícil viver. Aflição da gente deste e de outros séculos, esta necessidade de fugir sempre. E aí está! Dispõe agora de um universo só seu, de mentirinha, mas que é bom. Passeia por vales, perigosos desfiladeiros, rios, lugares inóspitos, sem impor qualquer esforço ao corpo calmo e sentado. Às vezes, uma arma de grosso calibre ainda acompanha o viajante que mata, volta e meia, um sujeito oculto nas sombras, mas que nunca lhe fez mal, nem oferece risco à sua integridade física. Mesmo assim, teima em chamá-lo inimigo e assassiná-lo, só para desopilar o fígado.
Sem dúvida, vem crescendo o número de equipamentos nessa parafernália eletrônica a encantar gerações de agora e de sempre. São máquinas para jogar, falar, ler, ouvir, assistir, brincar, e mais algumas atividades que nem o próprio dono sabe para que servem.
Mas há algo muito especial do qual ninguém abre mão, nesse inferno de teclas e telas: a internet, que é, por assim dizer, uma ferramenta que disponibiliza uma série de aplicativos que conduzem direto à informação, ao conhecimento, à arte, a um sem fim de curiosas maneiras de tornar melhor a complicada arte de viver. Embora, tudo isso pareça inútil aos olhos daqueles que não desgrudam dos sites de relacionamento, que lhes roubam horas do dia e da noite. São internautas de todas as idades, plugados, alheios a qualquer acontecimento ao seu redor, com toda a atenção voltada para o bate-papo, a bisbilhotagem, a conversa mole que não tem fim, com fotos, brincadeiras compartilhadas, mensagens melosas que só tem razão de ser ali, naquele espaço, tendo em vista a força da hipocrisia a sobrepujar toda tentativa de tirá-las da virtualidade.
E a intimidade com esse espaço é tanta que certos integrantes entram ali, às vezes, só para dizer olá, cheguei; agora vou fazer isso e aquilo; hoje está um lindo dia, vou à praia (para causar inveja em quem está distante do mar). E na falta de algo mais, dizem “bom-dia face!”.
PROF.RODOLFO DE SOUZA
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