BICHO EM EXTINÇÃO

É fato inquietante e corriqueiro o fenômeno de proporções incalculáveis que ora ronda o meio educacional daqui desta terra de faz de conta. É… faz de conta que ninguém o percebe e, quando notado, pouca importância lhe é conferida. A respeito dele, inclusive, fala-se pouco ou com o descaso atribuído normalmente a uma causa banal. Adquire mesmo a aparência de algo inofensivo que de forma alguma afeta ou afetará a população desta pátria tupinambá. Curioso é que, uma vez no século vinte e um, vivendo num mundo mergulhado até o pescoço na tecnologia, soa contraditório pensar em desenvolvimento quando assunto de tamanha importância é tratado como… Não é tratado.

A inobservância humana com relação ao uso dos recursos naturais, por exemplo, tem levado algumas espécies à beira da extinção, o que certamente comove a gente que muito faz para que os bichinhos sejam preservados, reproduzidos em cativeiros, cuidados, amados, enfim. Mil campanhas desfilam pela mídia para ver se é possível conter a fúria destrutiva do homem e sua máquina de fazer dinheiro. Claro que algumas delas também são criadas só para render um dinheirinho extra, liberado pelos governos engajados no sublime ideal de preservação.  Salvemos, pois, a tartaruga, o mico-leão, a ararinha azul, é o que dita a regra. Cuidemos para que a criançada aprenda desde cedo que é feio maltratar a bicharada (entenda-se como quiser o espécime supracitado). Medidas como esta, que começam a evitar que gerações vindouras tenham que conviver com o prejuízo cultivado com tanto zelo nos dias de hoje, devem mesmo ser tomadas. Denota até um fiapo de preocupação por parte das autoridades.

Mas convém observar a existência de um meio que anda um tanto esquecido nesta pátria ecológica: um lugar que tem a missão de produzir cultura no sentido de conhecimento retido na mente desejosa dele, bem de inestimável valor capaz de mudar a personalidade, de fazer enxergar grande e com alguma nitidez esta vida repleta de vultos amorfos e opacos. E toda essa conquista, pasme amigo leitor, tem início ali, naquele recanto bucólico em que pessoas se doam no afã de levar um bocadinho de aprendizagem à tenra idade. Mas esta tem recebido muito mal a mão estendida que oferece entendimento. Então, aquele, exausto, recolhe o braço dolorido e desanima, e desiste, e começa a desaparecer, e a sua extinção, por fim, aparenta iminente.

O aspecto mais sinistro desta questão, diga-se de passagem, tem a ver com o triste fato de ninguém se importar. Não há qualquer movimento em prol de conter o ímpeto furioso que, por certo, levará o bicho ao desaparecimento.

RODOLFO OLIVARIS

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