A copa do mundo em junho é no Brasil! Absurdo! – Dirá o gramático mais inconformado com o tempo do verbo do que com o evento que terá lugar em pátria tupinambá.
Não me importo, afinal. É assim que fala o povo, e cronista é povo.
O certame que começa polêmico pela questão gramatical, mais polêmico ainda se torna pela gastança empreendida com vistas ao sucesso da festa. Fazer bonito no gramado é preocupação da equipe que cuida do futebol. Mas tem os estádios, acessos, transportes, aeroportos… Enfim, tudo aquilo para o qual se deve voltar a atenção quando se pensa no conforto do torcedor apaixonado que há de pisar este magnífico solo verde amarelo para gritar, rir, chorar, aplaudir e acabar com os nervos.
Certamente que as autoridades da área se empenham e se desdobram para que tudo resulte certo e então sejamos aplaudidos e congratulados mundo afora. Temem, contudo, que autoridades de outros departamentos coloquem nas ruas suas hostes para melar o evento. É possível até que algum acordo de cavalheiros venha conter esse ensejo de realçar a festa com o produto nacional mais abundante no mercado. Até a imprensa dá ares de preocupação, e alerta, e denuncia.
Mas a copa vem aí e é acontecimento que deixa eufórico aquele povo que tem pelo futebol uma paixão escandalosa que o leva para as arenas, para a frente das telas, para os botecos em busca de muita discussão, deboche e despeito. Torcedor é sempre assim, fanático. Este que por certo aguarda ansioso pela competição maior que todas as outras, que faz balançar as redes e deixa o peito ofegante de alegria, de nervoso ou, ainda, da tristeza que ninguém deseja ou acredita de verdade antes da partida. Há mesmo um furor incontrolável de se correr para o abraço.
Apesar de que há outro segmento desse povo, orgulhoso defensor dos recursos financeiros da pátria de chuteiras, que é contra a realização do campeonato aqui, porque não concorda com a dispendiosa, vultuosa, estratosférica soma de recursos gastos na brincadeira. Dinheirama que poderia ser empregada na educação, na saúde, transporte, habitação… E vai às ruas fazer protesto, essa gente. O que espera, afinal? Que o certame seja cancelado? Ou, quem sabe, transferido para outro país? Aí sobraria dinheiro!
Não! Ele já foi torrado!
Diga-se de passagem, eu não sou contra que se realize a copa no Brasil simplesmente porque, se não houvesse gastança para isso, nada seria investido na educação, na saúde ou em benefício qualquer deste imenso país. Ninguém veria sobrar recursos para coisa alguma, nem veria investimentos para a melhoria das áreas que estão sempre na pauta de reivindicações. Nunca, em tempo algum o brasileiro experimentaria crescimento só com a economia feita por não ter sido realizada uma copa mundial de futebol em sua terra.
Proponho, pois, ir para as ruas protestar contra a tolice sem medida.
E que venha a copa!
PROF.RODOLFO DE SOUZA
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