Inclusão, que é assunto sério nos meios educacionais desta pátria de carochinhas, tem levado muita gente a pensar num meio de tirar da obscuridade seres humanos que merecem toda a consideração que é dispensada aos outros que, diferentemente, ostentam porte e semblante normais.
Até porque, quando se aborda o tema, logo vem à memória, quase que de sopetão, alguém com olhos orientais, ou qualquer tipo dotado de alguma dificuldade de compreender coisas pertinentes ao seu mundo. Pessoas repentinamente inseridas num contexto escolar, da mesma forma que seu semelhante de vida intelectual reconhecidamente dentro dos padrões de entendimento. Intelectualidade questionada, evidente, mas aceita como razoável, passível até de algum sucesso no futuro.
Politicamente lindo, isso de incluir, admito. Perfeito aos olhos da família! Em especial aquela que dispõe de membro com características que atendam ao apelo.
Três são as categorias de inclusão, segundo o humilde diagnóstico deste escritor: o aluno que, uma vez incluído, passa a apresentar considerável progresso no seu desenvolvimento psíquico, estimulado pela convivência e coisa e tal; o outro que, mesmo frequentando a escola como o primeiro, não manifesta alteração significativa no seu comportamento desajustado; e o terceiro, aquele que, embora faça parte de uma situação de normalidade, não consegue evoluir a contento no salutar exercício do aprendizado. Este último, diga-se de passagem, assíduo usuário dos bancos escolares, possui conduta que o exclui naturalmente da classe estudantil. De comportamento reprovável que quase sempre foge ao controle do professor, não permite que seu caminhar evolua do beabá até a um assunto qualquer coisa mais sofisticado, próprio de sua idade. E vai ficando, incluído goela abaixo pela unidade escolar.
Muitos fatores, pois, o condenam ao ostracismo, sobretudo o meio social de que é oriundo. Papai e mamãe, por exemplo, desprezam o conhecimento por não terem noção de seu valor, uma vez que o alimento nunca fez parte de seu cardápio. Consequentemente, o descaso atribuído com carinho à coisa torna-se responsável por construir um caráter todo ele despojado de um fiapo de entusiasmo quando tem diante de si a matéria a ser estudada. Herança dos pais que o pimpolho ostenta com orgulho, esse menosprezo pelo professor e seu, só seu assunto. Aversão pelos livros que certamente passará para o rebento, tão logo encontre alguém com quem dividir o leito. Decadente ciranda social.
Segue assim esse coitado a quem, a despeito da postura nada condizente com o ambiente escolar, é dado chamar de aluno. Ano após ano até o último em que, ao final, é presenteado com o certificado de conclusão, tapinha no ombro e tchau. Ufa!
O tempo que passou na escola, enfim, foi suficiente para que aprendesse somente o que aprendeu aquele rotulado DI, TGD, e outras nomenclaturas mais. Seu corpo cresceu e escondeu o potencial de inteligência que um dia alguém tentou desenvolver.
Para este tipo, inclusive, inventaram outras siglas que lembram até repartições públicas ou partidos políticos. Assim, cada grupo de sintomas de vadiagem e desrespeito crônico tem atribuído para si um conjunto de letras que servirá para designar o distúrbio de que é supostamente vítima o meliante que coloca em polvorosa toda uma sala de aula e a vida de quem deseja ensinar e aprender.
Claro que, com sigla ou sem sigla, é direito seu ser incluído, ainda que em prejuízo dos demais.
PROF.RODOLFO DE SOUZA
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