Tenho ouvido muito, nos últimos tempos, a respeito da importância da diversidade de opiniões, que tanto enriquece as relações humanas e torna o mundo qualquer coisa mais evoluído. Isso porque, segundo dizem, formas diferentes de se enxergar a vida, quando juntas, podem servir como complemento de ideias. Formidável, não?!
Parece que o fenômeno se dá em função da origem social do homem que depende do semelhante para viver. Assim, é natural imaginar que necessite da ideia alheia para enriquecer a sua. Afinal de contas é possível que o outro tenha algo novo a dizer, assunto sobre o qual seu cérebro distraído não se dispôs a pensar e que talvez fosse interessante levar em consideração. Isso de fato pode contribuir para o desenvolvimento de ambos os sujeitos que dividem o solo e o oxigênio desta terra. Meio filosófico isso. Acho que descambei nas minhas reflexões.
Mas por que, então, sofrem tanto com o conflito que resulta dessas relações? Acaso o Platão do século XXI pode explicar? – indagará o leitor cheio de expectativa e impaciência, que repentinamente fora lançado num mar de inquietações. Até porque, ele também tem lá sua linha de pensamento com relação a tudo que o cerca e agora ficou perturbado ao pensar sobre isso. Que chateação! Por que não falar de outra coisa? Saiu pancadaria no futebol, por exemplo. Ótimo assunto para uma crônica!
Conflito de ideias, certamente que existe, e esta que há entre nós é só uma delas, assim como a briga no estádio. Mas o que leva o ser humano a embates que, com alguma frequência, conduzem à mágoa e ao rancor? Que tal se experimentasse levar em conta a opinião do outro e tirar proveito dela, ao invés de querer a todo custo, fazer prevalecer a sua, ó ser pensante?
Mas ele é imaturo e sem instrução – já soa nos meus ouvidos o argumento do qual se arma o desinformado interlocutor para interpelar-me… Apesar de que, verdade seja dita, é preciso ouvi-lo também! De repente constato, cheio de surpresa e apreensão, que não está de todo equivocado! Até porque, os palpites alheios devem ser mesmo cuidadosamente filtrados, já que espírito de porco é artigo que não falta na praça, ao passo que bom-senso anda cada vez mais escasso. E é nesta hora que o lado crítico deve fazer valer a sua presença e tocar a sineta para avisar se convém ouvir ou simplesmente dar de ombros e ir embora.
Não estou me contradizendo, não senhor. Decidi somente dar ouvidos a este meu amigo que ora me ouve, e afirmo que cautela é substantivo que foi inventado não só para constar dos dicionários, mas também para dar proteção, tendo em vista que há sim uma diversidade enorme de pensamentos, e é sempre saudável não esquecer que nem todos são dotados de conteúdo, no mínimo, inteligente.
Claro que, de qualquer maneira, para se elaborar uma avaliação, assim por alto, das ideias da pessoa a quem se dirige, é preciso mesmo ouvi-la. Fica difícil tecer juízo a respeito deste ou daquele, sem ouvi-lo, mesmo que sua aparência forneça uma dica mais ou menos clara sobre o que poderá se encontrar nesta diligência.
PROF.RODOLFO DE SOUZA
Deixe um comentário