CULTO AO BARULHO

Antigamente quando despertava no jovem ser humano o desejo de ouvir música, seus ouvidos eram normalmente contemplados com, imaginem… Música, me-lo-di-a. Ela que servia para animar casamentos, aniversários, formaturas, e outras tantas festas, às vezes, com bailes em que homens dançavam com mulheres! É, isso mesmo! E agarradinhos!

Ainda hoje, muitos ritmos enriquecem o paladar  musical de pessoas com gosto um bocadinho mais refinado, ou que tenham vindo de uma época em que “curtir um som” significava seguir no embalo musical de variadas escolhas, de preferência com volume estereofônico, ideal para detalhar os arranjos construídos para as canções. Isso, de fato, sacudia o espírito.

Nada contra a modernidade que aparelhou exageradamente os costumes, inclusive, os musicais. Mas é preciso entender que todo exagero, como o próprio nome diz, é demais, e virou prática comum para gente com algum dinheiro e gosto duvidoso, equipar carros com exuberante parafernália que tem a pretensão de encher de musicalidade principalmente o exterior desses veículos, já que o interior é um inferno de decibéis que só os ouvidos surdos de seus ocupantes são capazes de suportar. É dinheirama esbanjada com máquinas incrementadas, só para o deleite do exibicionismo que também sugere poder. Exatamente, amigo leitor: poder. Considere, pois, que se carro comum já é sinônimo de ascensão social, de luxo então… Com motor potente, ainda coloca o dono um palmo acima do solo, em tudo superior ao seu semelhante a pé. Isso quando não resolve contrariar as determinações da engenharia automobilística e cortar as molas do seu possante somente para deixá-lo mais “invocado”. É novamente a sensação de superioridade oriunda da máquina. E o som, claro, é presença obrigatória nesse conjunto. Em tempos idos, por exemplo, o Rod-Star enchia de rock and roll o interior do carro, fazendo vibrar os tímpanos enlouquecidos de quem ali estivesse. Nada comparado, entretanto, ao equipamento que brilha em beleza e potência, e que toma boa parte do espaço útil de alguns automóveis estacionados na orla de cidades praianas, em feriados de verão. Desfile de pavões a encher de admiração com suas vozes estridentes e metálicas.

Dificuldade, contudo, é encontrar alguém que utilize tal aparelhagem para propagar harmonia musical. Há, sim, muito barulho com baterias eletrônicas marcando compasso para gente que, de copo na mão, rebola os quadris numa espécie de ritual dançante. Todos com a pretensa ideia de dançar ao sabor dela, a música.

 

PROF.RODOLFO DE SOUZA

 

 

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