BOM E VELHO BATE-PAPO

Atendendo à sugestão de uma amiga, resolvi deitar no papel a minha querida e inseparável caneta para propor uma reflexão ao paciente leitor que, uma vez leitor, deve ser afeito também a uma boa conversa. Aliás, assunto é o que não deve faltar para o amante da palavra escrita, este que constantemente se envereda pelos ricos caminhos trilhados pelas ideias de quem muito sabe.

O bom e velho bate-papo é assunto sobre o qual me desafiou escrever a companheira de trabalho quando, em roda de amigos, falou da beleza do momento em que estão todos reunidos a falar e rir. Troca de ideias, opiniões, desencontros, zombarias, muita alegria que aproxima sobremaneira as pessoas.

Diga-se de passagem, fico mesmo aborrecido ao perceber, em reunião normalmente dos mais jovens, essa tendência ultramoderna de substituir o papo cara a cara por aquele que oferece a tecnologia. É o mau gosto virtual que, tudo indica, se apodera dos costumes. Modernidade necessária, verdade seja dita. Um tanto daninha, contudo, que impõe seu domínio sobre as mentes desavisadas incapazes até de respirar caso lhes tomem o equipamento que conduz à internet e aos jogos coloridos. Apesar de que, convenhamos, gente é assim mesmo, se apega às manias de todos os tempos, e isso de passar os dias cutucando o celular é só uma delas. Síndrome da compulsão adquirida que não dá sossego ao teclado do aparelho, coitado.

Triste, pois, perder essa parte boa da vida ao deixar de lado o companheirismo, o prazer de falar e ouvir pessoalmente, de se impressionar com a expressão do outro, com a disputa para se sobressair no assunto, com o calor humano presente na contenda, no bate-boca… Formidável discutir política, futebol, contar casos, botar apelidos, insinuações maliciosas e, gargalhadas, muitas gargalhadas! Todos ingredientes que constituem o recheio desses encontros com a turma do trabalho, dos estudos, da balada do final de semana, enfim…

A vida é, afinal, feita disso, desse calor que emana do ser humano quando está com os amigos para uma conversa, boa hora em que o silêncio não domina soberano como acontece na mesa em que cada um dos presentes, de cabeça baixa, se perde distraído em papo com alguém distante, ou ainda, navega pela rede, indiferente à presença dos demais e do que ficou olhando desconsolado. Falta de educação, credo!

É… Acho que Isabel está coberta de razão ao criticar essa postura que privilegia o meio tecnológico de comunicação em detrimento do pessoal, tépido contato com o semelhante que divide conosco acentuada dose de afinidade.

  

PROF.RODOLFO DE SOUZA

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