É dia de jogo. Mas não de um jogo qualquer. É jogo de copa, copa, além de tudo, disputada no Brasil! O rico coração verde amarelo bate apressado ao ver a sua flâmula brilhar soberana no campo que lhe tomou emprestada a cor. Sabe que paira um sentimento de ansiedade pela vitória no gramado e também na apresentação. Afinal, há um desejo de que tudo resulte bonito e sem incidentes, coisa difícil de imaginar numa terra de protestos em que se transformou isso aqui.
Mas a cidade brilha. Parece até que a mega sena resolveu premiar a todos ao mesmo tempo, como lembrou uma amiga. O astral de euforia faz pensar na vitória como se esta tivesse acontecido antes mesmo da partida. Como se não fosse necessário jogar o jogo para determinar o ganhador, por certo ele, o excrete nacional.
Corre-se para lá e para cá, bandeiras a postos, cornetas, gritos e shows pirotécnicos, pressa, muita pressa na atmosfera de comemoração e também de apreensão e nervosismo, que contagia até aquele que aparenta indiferença que, despeitado, diz não se importar. Entretanto, guardar os fogos, comer churrasco sem gosto, e beber cerveja ainda mais amarga, não é o que almejam todos para quem a querida e idolatrada seleção tem mesmo que vencer.
Nos instantes que antecedem cada partida é possível notar em cada olhar, em cada rosto, o brilho do dia especial em que se deixa mais cedo o trabalho, não para vadiar, mas para dedicar toda a atenção à telinha que exibirá a peleja mais importante do mundo que, desta vez, tem lugar aqui no Brasil.
A torcida prestigia! Tudo é coração, tudo é festa! Mesmo que se saiba que para que o vencedor alcance o apogeu é necessário que haja um perdedor. Fazer o quê? Torcer para que o derrotado seja sempre o outro, evidentemente! E que ninguém impeça o Brasil de sagrar-se, mais uma vez, campeão!
O povo que se diz contrário a isso e a tudo, até que tem se comportado bem, com exceção de uma gritaria aqui, outra ali, que a polícia trata gentilmente de calar para tudo voltar à calma, a despeito daquele que se aproveita do barulho para destruir o patrimônio alheio. Este que se arma de razão por ter consciência de que a terra que sedia a copa do mundo de futebol, não dispõe de lei que permita à justiça colocá-lo numa jaula. Que pena!
Até chileno que, no seio da América do Sul, anda meio guapo, achou de enviar uns vândalos para cá, como se aqui não houvesse o bastante. Brava gente que defendeu o seu direito de assistir ao futebol ainda que sem ingresso. Isso mesmo, na marra! Invadiu o estádio, brigou, quebrou, foi preso… Agora, o cacique do esporte bretão do Chile, prometeu, a fim de limpar a barra chilena, que os tais não mais irão aos estádios de lá. Pelo menos este ano. Bem feito!
E as cidades estão repletas de visitantes que lhes conferem brilho especial, dada a variedade de cores a perambular pelas suas ruas. Há também cantoria estrangeira, conversas em voz alta para que seja notado o idioma diferente, como se as caras não bastassem. Há acenos e sorrisos para o brasileiro que vive experiência impar de convívio com o semelhante que aparenta exótico porque vem de outra cultura.
Tudo por causa da copa do mundo de futebol que hoje dá espetáculo na ensolarada pátria mais de chuteira do que nunca.
PROF.RODOLFO DE SOUZA
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