VARIEDADE QUE TE QUERO BEM

Prefiro o verão. De fato prefiro o verão quando é chegado o momento de celebrar a mudança que experimenta esta terra quando finda o ano. Afinal, goza de privilégio ímpar esse povo que habita o hemisfério sul de seu país continental. O clima para ele tem esta variação gostosa que permite jogar para longe a blusa, despedir-se do friozinho enfadonho e mergulhar de cabeça na temporada do calor tórrido, de derreter asfalto. Época em que os dias têm aquela aparência de feriado ou fim de semana que todos amam.

Todavia, o verão não sabe que só deve ser verão em horas em que se pode desfrutá-lo. No trânsito do dia-a-dia, sol a pino, termômetro batendo trinta e seis, não é assim tão confortável. Se o motorista puder seguir num carro equipado com ar condicionado, tanto melhor. Sem o equipamento ou pendurado num ônibus, o sufoco calorento ganha alguns números a mais na escala dos centígrados. Da mesma forma acontece na obra, na fábrica, no forno da padaria, da pizzaria… Haja calor! O corpo permanece molhado ou no mínimo grudado. Sonha-se o dia todo com aquela chuveirada que promove frescor de pouca duração.

Sol quente é bom quando se está numa praia ou se a piscina do clube, com aquela gelada, é deleite indispensável no sábado à tarde. Na beira do rio de água muito fria, por exemplo, quem é louco de desejar o tempo fechado, de temperatura baixa?

É mesmo delicioso o calor que deixa à vontade, que na folga possibilita um passeio com pouca roupa, na rua ou no parque, oásis dos centros urbanos, lugar em que a passarada mais o canto de alguma cigarra vadia, fazem bater um sentimento bom.

Porém, o tempo, aquele que não é clima, não para de correr e logo um vento fresco aparece para anunciar a despedida do verão. Período do ano em que o suor já cansou e o calor passa a incomodar ainda mais. Então, é momento de tirar do guarda-roupa a velha blusa, companheira inseparável. Tem lugar então, a garoa, o céu encoberto, a coberta, o agasalho, a fuga para o aconchego do lar. É época de exibir elegância, se entusiasmam as mulheres.

Aprecio, pois, sobremaneira, a chuva, o chuvisco, o frio, a folha que cai, embora o período tão generoso ainda ofereça muito sol. Calorzinho tépido que se busca para aplacar a tremedeira. Aliás, o amigo leitor já parou um só instante para reparar no brilho que oferece o sol de outono ou de primavera, que acentua as cores, que lhes conferem nuances espetaculares? O indivíduo normalmente não sabe por que considera tudo mais bonito. É o espetáculo que se repete no inverno quando é possível viver dias ensolarados sim, porque aqui é a pátria tupinambá que nunca fez questão de nevasca, de água congelada nos canos, de roupagem absurda para poder sobreviver. Quem trabalha em pronto socorro daqui jamais tratou pessoas com queimaduras ocasionadas por frio intenso. Coisa de louco! Nosso inverno é especial, sem grandes contratempos. O carro desta terra pode até derrapar na cachaça, mas não há de bater por escorregar no gelo. Que ufanista se tornou, afinal, este escritor!

Lá fora o céu está fechado, faz frio, e tudo indica que uns respingos tornarão ainda mais aconchegante a noite que se aproxima. Entretanto, quem duvida de um dia ensolarado amanhã para secar a roupa do varal e alegrar a vida do ser humano que depende dele para não ser triste?

Prefiro o calor, prefiro o frio, o dia seco, a chuva… Tudo que faz parte da vida do meu país.

PROF.RODOLFO DE SOUZA

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