BREVE REFLEXÃO SOBRE… O QUE QUISER

Época boa, aquela das festas de fim de ano, momento ideal para se lavar a alma das sujeiras e do azar que devem ficar para trás. Mais oportuno ainda, nestes dias, é exercitar a mente e refletir um pouco. Isso mesmo, refletir, pensar a fundo acerca de algo. Neste caso, o fio tênue que dá sustentação à vida do ser aqui nesta terra de celebrações, é justamente o ponto crucial que tem desviado o meu pensamento de qualquer outro tema. Andei mesmo cheio de divagações sobre o súbito, o repentino ato de morrer.

Meio mórbido, por certo há de considerar o leitor que ainda não se desfez do espírito natalino. Concluirá, entretanto, que o sensível escritor talvez desejasse falar, nas vésperas das folias de momo, a respeito do Natal e sua mensagem de renascimento, confraternização, solidariedade, essas coisas. Que Ano Novo é recomeço com cor branca para trazer paz e amarelo para a prosperidade; que nossa estadia aqui na passarela do samba não dura muito e que, por isso, devemos cultivar cada vez mais o amor entre as pessoas. Ensejo mui belo que brota, sobretudo (e somente), em final de ano e faz enriquecer o espírito humano.

Logicamente que o curto período em que nos debatemos aqui neste barracão, é o teor do assunto sobre o qual tentaremos discorrer nestas breves e, esperamos, encantadoras palavras, uma vez que considero digna de umas linhas bem bonitinhas a necessidade cada vez mais premente de se pensar sobre todas as alegorias que nos cercam.

Inspiração, diga-se de passagem, é material farto para quem se dá ao ofício de escrever. Naqueles dias em que assistia no telejornal os acontecimentos da faixa litorânea deste rico estado, e vi aquelas pessoas mortas na praia pelo efeito devastador de um simples raio, não tive como não me colocar em seu lugar e pensar: “diacho, saímos de casa na metrópole para tomar um sol e pular sete ondas no início do ano e, agora, jazemos mortos na areia. Bolas para a vida.” A coisa, pois, se nos apresenta assim, estúpida, sem luta, sem chance de defesa. Cinco vidas arrebatadas bestamente e em segundos. Alegrias, tristezas, incertezas, medos, esperanças, paixões, tudo pulverizado num estalar de dedos.

Tem também o caso do sujeito da cidade grande, que tomara um taxi para alcançar com mais rapidez e conforto o seu destino, mas que não deu lá muita sorte quando o motorista pegou o caminho que deveria passar por uma rua onde uma árvore aguardava para ser arrancada pela força do vento e da chuva que se precipitava. Não tombaria antes ou depois, somente no exato momento em que o carro passasse, capricho do acaso que escolheu amassar só o passageiro como a um inseto indesejado. Poupara o motorista. Numa fração de segundo, transformou aquele em doce recordação para os seus.

O ônibus, que vinha pela rodovia, bateu de frente com um caminhão e pronto, mais uma dezena… O carro desgovernado capotou na estrada e encolheu duas outras famílias… O homem que tomou um tiro durante a festa e… O helicóptero que caiu… O barco… O avião… A bala, o fio elétrico… Gente que não assistiu à tão aguardada passagem de ano.

A impressão que fica, realmente, é a de que toda essa loucura, corriqueira e absurda, funciona como uma mão que toma nossos rostos e os vira na direção dos fatos com a estranha e descarada intenção de nos esfregar na cara nossa precária condição humana que normalmente nos escapa à lembrança. É… Acho que é preciso repensar a vida enquanto há tempo, a despeito dos sinistros que não nos permitem acreditar que haja.

Que triste! Melhor mesmo é desligar a TV, esquecer a morte e celebrar a vida. Deixá-la correr! E que venha o carnaval!

PROF.RODOLFO DE SOUZA

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