RIR PARA NÃO CHORAR

Na escola pobre da periferia, Érika lidera. Não conhece a liderança política, a empresarial, a comercial, a marginal, mas lidera.

Despreza o respeito pelas pessoas, pelas coisas e sente muito orgulho disso, do escárnio com que trata e vê seus seguidores tratarem. Ah! Porque tem seguidores. Amigos, colegas de sala que veem nela um modelo, o ícone da rebeldia.

Gosta de se enfeitar e veste-se com a elegância que a vida de parcos haveres lhe permite vestir.

Seu sorriso, este é o out-door das marcas que formaram a personalidade que ri de tudo, de todos, de si. Agressão com deboche, gratuita. Sua beleza estaria justamente aí, na alegria, não fosse a intenção do riso.

Pouco sabe e o que sabe não pode ser considerado suficiente para que tenha bom senso, consciência da necessidade de ouvir para aprender; nem que é preciso aprender.

Foi educada da maneira correta, segundo considerou a mulher rude, criada aos trancos e barrancos, que tenta transmitir para a filha todo seu conhecimento de vida. Esta, desprovida de inteligência, embora com potencial, sente compulsão pela atitude rebelde diante do mundo, da sociedade. Como se o ato de escandalizar fosse a bandeira pela qual lutasse até a morte, por não conseguir imaginar nada mais gratificante que o olhar atônito de quem não aceita conviver com tal estado de espírito; de porco, diga-se de passagem.

Dá de ombros quando é advertida pela diretora da escola que ameaça chamar a mãe. Isso não a intimida e repete o gesto assim que recebe o pito materno, o mesmo que recebeu quando começou a sair com Michael, rapaz pobre de nome complicado que exibia braços magros, tatuados… Sarados, aos olhos de Érika, que no início encantou-se com a pose do menino ostentando seu cigarro viril. Este também se sentiu atraído pelos cabelos pintados de vermelho, sugerindo oposição numa época em que moda era ser loira.

Nova etapa na vida de Érika, porém, começou quando anos de pirraças praticadas acabaram por entediá-la. Resolveu, então, extrapolar, passando rapidamente do tabaco, que iniciara com Michael, para os infindáveis meandros da canabis, novamente com o apoio romântico do parceiro, seu homem, como ela mesma costumava dizer. Tornou-se ainda mais arredia em relação à educação, e o mínimo de aproveitamento escolar transformou-se em nada.

Cismou, também, de relaxar no único cuidado que exercitava: a prevenção no momento do sexo. Até porque, sempre gostou de andar na moda e esta exige gravidez adolescente. É… Pobreza mental dominante lançando modismos!

Seu ótimo partido finalmente Érika perdeu para as drogas, e tamanho era o amor de ambos que até a fisionomia do infeliz ela esqueceu, e a pequena, parida da irresponsabilidade, não sabe que peça lhe pregou o destino.

PROF.RODOLFO DE SOUZA

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