ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE A EDUCAÇÃO

São pessoas ainda jovens que começam o dia se preparando para mais um período dedicado à busca árdua pelo conhecimento. E o local escolhido para tão nobre anseio não é outro senão a escola, templo sagrado erigido inicialmente para o culto à aprendizagem.

A pé, de bicicleta, de skate, de carro, tocadas pelo vento feito folhas secas, aos poucos vão chegando estas doces criaturas que lentamente aproximam-se do local determinado para o exercício de suas funções cerebrais. Praticar a evolução do pensamento, talvez seja a ideia primeira.

Seu semblante denota responsabilidade e expressa mesmo o desejo inconteste de levar a cabo o intuito de aprender, ainda que para isso seja necessário submeter a mente sedentária ao supremo esforço de pensar.

Mas esses indivíduos, aqui chamados muito apropriadamente de estudantes, são persistentes e começam a se encontrar e a formar grupos para o ritual do cumprimento diário. Logo entrarão nas salas onde terá início o evento que lhes rendeu a alcunha de alunos. Para conduzir solene o ato, encontrarão lá uma figura que muito se assemelha a uma besta de carga com o lombo repleto de bagagem que será transformada em alimento cultural para esse povo faminto de sabedoria. É, aquele afinal, o bicho que buscou preparo em anos de estudo nesta dura caminhada para, naquele santuário, auxiliar a gente de tenra idade na construção do conhecimento, missão que, a propósito, lhe confere o garboso título de professor.

Um sentimento em ebulição, contudo, revira o peito jovem que não se contém diante do semelhante e, desse encontro, principia um fenômeno impulsivo e compulsivo. É a necessidade que subitamente desponta, de falar muito alto, mais para se impor do que para se fazer ouvir, é a gargalhada exagerada para menosprezar e fazer troça do colega por bobagem qualquer, é o ímpeto de correr, de tomar e arremessar objetos, é a gritaria… Lembra até aqueles elementos químicos que separados não oferecem perigo, mas unidos provocam reação explosiva. Um tanto natural da idade este fragor, admite o profissional que tem como função lidar com isso no seu dia-a-dia sem que esteja preparado. Falta-lhe capacitação, alegam os algozes que habitam confortáveis escritórios bem distantes das salas de aula. Mas que são técnicos e técnicos sempre entendem de tudo. Dizem, inclusive, que já estão providenciando cursos a serem ministrados em manicômios, locais um tanto apropriados para seu treinamento, e que os fará encarar com mais serenidade a sua profissão. Dizem ainda que os métodos utilizados para se conduzir o aluno à descoberta de um mundo com outras possibilidades, há muito, estão ultrapassados e que isto só desestimula o pobrezinho de alma pura.

Desconhecem, todavia, técnicos e teóricos, o desrespeito galopante e a algazarra feroz que deram origem à cultura da anti-cultura, da anti-aula, da inteligência minguada, barreiras para qualquer mudança, obstáculos para o novo.

Mesmo assim, é preciso falar. Faz parte do trabalho do professor enviar a mensagem à meninada por meio de signos verbais que deverão ser interpretados, assimilados, discutidos. Mas o furor juvenil impede que se forme uma atmosfera vital de troca de ideias, de opiniões, de envolvimento com aquilo que o professor propõe que seja estudado.

E o descontrole da situação descabela o coitado e lhe faz brotar na boca o enjoado sabor do fracasso quando lhe parece não haver solução no campo dos reais. Absolutamente compreensível. Basta que pensemos num carro que deve atingir determinada velocidade para, em seguida, proceder à desaceleração. O motorista, que detém seu controle, aciona os freios quando lhe convém parar. Assim deveria ser lá em casa, fábrica onde fora concebida com muito esmero a criaturinha, objeto deste clamor, que seria perfeita não fosse a falta de freios, distração do construtor, que custará o futuro desta e de outras gerações. Porque atropelado tem sido o ensino.

 

 

PROF.RODOLFO DE SOUZA

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