Adianto que Elvira, fonte de inspiração que me levou a escrever este texto, não é uma mulher. Elvira, personalidade em destaque aqui neste espaço, é tão somente o nome de uma escola. Ali de São Caetano. Sabe como é, caríssimo, todo cuidado é pouco quando se coloca no alto da página um título que por si só já sugere relação um tanto comprometedora com alguém do sexo oposto, o que pode, sem sombra de dúvida, meter este cronista numa saia justa dos diabos.
De qualquer forma, sou obrigado a me curvar diante de Elvira, admirável figura dada a inovar em seus métodos pedagógicos, ousadia que a levou, inclusive, a produzir, dia destes, um espetáculo televisivo. Isso mesmo! Um show de televisão, razão mais do que suficiente para que eu me dispusesse a deitar a pena neste papel digital e rabiscar algumas palavras de admiração pela escola que tem voltado ao aluno um olhar qualquer coisa diferente, mais humano, talvez. E esta iniciativa, parece que veio justamente para colher o que tem de melhor a personalidade ainda verde, desprovida da maturidade conservadora e rançosa. Por certo que a empreitada não é fácil. Mas é preciso tentar e, partir para o exercício da arte talvez tenha sido a melhor escolha. Convenhamos que é por meio dela que se desenvolve a criatividade, a sensibilidade e a inteligência.
Discutir, pois, a postura do estudante como mero espectador diante de um quadro negro, escondendo muitas vezes um talento que lhe conceda destaque e faça crescer sua autoestima, talvez seja a melhor maneira de se trabalhar o ensino.
Sabemos, amigo, que a função primeira de uma escola é auxiliar o aluno na construção do seu conhecimento. Giz, lousa e livros, portanto, ainda são suas principais ferramentas de trabalho, aparelho presente na maioria das escolas deste imenso e idolatrado país, e que, não ouso negar, ainda são instrumentos mais do que necessários para se trabalhar os conteúdos ali naquele santuário. Embora muito se fale da tecnologia, ela ainda não se consolidou de vez dentro do espaço escolar para que possamos desfrutar de todas as suas possibilidades e evoluir enquanto estudantes que somos.
E a Elvira, neste show, fugiu um bocadinho do contexto empoeirado e entediante para privilegiar o lado artístico de seus alunos que surpreenderam a todos com apresentações que exigiram empenho e determinação, além de uma dose extra de entusiasmo. Até porque, nada melhor do que a arte para despertar esta magia.
Sábia foi, portanto, a decisão da escola quando decidiu apoiar o Prof.Risonho, aquele músico recentemente enaltecido por uma aluna, a colocar em prática a ideia inusitada de homenagear o Chacrinha, pelo seu centenário. E todos, crianças e jovens, que não conheceram o velho guerreiro, foram apresentados a ele e ao seu trabalho, e convidados também a representá-lo e aos artistas contemporâneos seus. Longo trabalho, então, dividiu espaço com o conteúdo. E o resultado não poderia ter sido outro senão músicas de um outro tempo na voz dos alunos, imitações de artistas e encenação do próprio programa, com direito a bailarinas, jurados, troféu abacaxi e muitos aplausos de pais orgulhosos.
E, para abrilhantar ainda mais o espetáculo, o próprio Chacrinha esteve presente, na pessoa do professor Ivo que o imitou com perfeição, fazendo apresentações e anunciando personalidades como: Ana Maria Braga, Adriane Galisteu, alguns deputados para achincalhar o evento, Cid Moreira e, imagine, Penélope Charmosa! Até mesmo James Bond lá esteve, para prestigiar o programa e despejar todo o seu charme cinematográfico só para impressionar a bela Vanderléia, que não podia faltar.
É, sou mesmo obrigado a tirar o chapéu para Elvira.
PROF.RODOLFO DE SOUZA
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