Por causa deles o precário sistema de saúde do reino nada tem a oferecer, senão a morte.
Por causa deles a segurança se foi há muito tempo. E agora, com os estados falidos, quem vinha dando as cartas, assumiu de vez o comando do intrincado jogo em que o dono da bola é sempre o bandido, more ele no sudeste ou no planalto central.
Por causa deles a educação nas províncias faliu, ou antes, nascera falida, destinada mesmo ao fino propósito de formar gerações de pessoas preparadas para só dizer “sim”. A despeito das levas de jovens rebeldes que nos dias hoje só dizem “não”, acreditando que com isso mudam a história. Nem desconfiam, os coitadinhos, de que estão sendo treinados para, em futuro próximo, exercitar só o “sim”. Para o resto de suas vidas.
Por causa deles o que se compra para a subsistência carrega em seu preço uma carga tributária absurda, que torna muito caro viver.
Por causa deles a economia nesse imenso território sempre vai mal. Uma nação rica, espoliada pelo superfaturamento indiscriminado, pela má gestão, pelo roubo autorizado à luz do dia e pelas negociatas na calada da noite, que visam exclusivamente enriquecer alguns em detrimento da maioria… Legislações ultrapassadas e coronelismo também favorecem as bravatas. Pagamentos vultuosos pela boca fechada que sustenta e apóia o mal crônico, também fazem parte.
Por causa deles o contingente carcerário superlota as cadeias que são poucas. Mesmo porque, não precisariam ser muitas. Entretanto, a população pobre, carente de formação, tem em seu seio o crime que se originou em eras de aviltante desigualdade social, transformou-se em meio de vida, ganhou força e voz de comando, virou cultura. Além do mais, o presidiário custa muito caro aos cofres públicos, grana que não pode faltar nas contas de quem manda no reino: reis e nobreza. Daí a necessidade de se manter na rua o meliante, consciente de seus direitos.
Por causa deles, grandes corporações dão as cartas e mudam leis trabalhistas para que suas receitas decolem rumo à estratosfera. Estão iludidos, contudo, por não perceberem que população sem dinheiro não consome e que não se pode menosprezar mercado do tamanho do que há nesse reino.
Por causa deles, que lutam por mais reformas, o súdito que se entrega à labuta corre o risco de pagar e pagar durante toda uma vida, sem jamais se aposentar.
Por causa deles, que fingem não saber, estão dizimando nossas florestas. Talvez porque precisem de capim para os seus bois, fechem os olhos.
Por causa deles Tio Sam manda lá e cá.
Mas é preciso que se admita, apesar de tudo, que não foi por causa deles que o professor deixou de passar a definição de crise ao aluno e à aluna. Foi mesmo critério seu a torpe decisão que mergulhou o país e o mundo numa crise sem precedentes. Até Trump decidiu rever sua posição no acordo de Paris, tendo em vista que, se o fato de o professor não ter passado a definição de crise foi capaz de desprender o enorme iceberg no continente gelado, o que faria então com a civilização terrestre! A crise é, portanto, grave e não aguda, e deve ocupar o seu lugar no topo do “a” de “aviso”, não do “x” da questão, como querem alguns.
De qualquer forma, repudio a conduta deles, por causa de quem instaurou-se a crise, esta que por séculos consome a paz e faz com que o professor seja penalizado por não defini-la.
Tudo culpa deles!
PROF.RODOLFO DE SOUZA
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