NÃO OUSO FALAR DE ESPERANÇA

 

Não vou falar de política ou de qualquer outro tipo de flagelo mundial. Penso que já cansou e que é melhor dedicar este espaço a algo que de fato compense uma leitura.

Não pretendo também abordar aqui o tema educação, porque já esgotou. Só se eu propusesse ao distinto leitor uma breve reflexão acerca dos esforços empreendidos pela Finlândia para promover a evolução da mente de seus jovens, modelo que, sinceramente, não denota lá muita complexidade. Somente uma boa dose de bom senso é o que vai nessa receita de aparência complicada. Claro que tratar do mesmo tema em terra Tupinambá, só resultaria em bate-boca e dor de cabeça, uma vez que não há e nunca houve interesse político em tornar inteligente o povo desta rica nação. Triste nação, aliás!

Não falarei também das tragédias humanas, assunto por certo batido e fadado a permanecer a um canto, aguardando novamente a sua vez.

Discorrer sobre economia, só aos técnicos compete, motivo que, de cara, me exclui da mesa de discussão. Afinal, entendo do riscado só o necessário para saber em que plano estratosférico residem os juros do cartão de crédito e do cheque especial. Não me cabe, pois, aprofundar-me na questão dos lucros bancários abusivos, porque não entendo mesmo disso, nem nunca ouvi falar. Eu, como toda a população, procuro me fartar de mentiras, volta e meia, só para viver um faz de conta e imaginar que nem tudo está perdido.

Da mesma forma, não ouso comentar futebol, tendo em vista que deveria, para tanto, acompanhar os certames e participar efetivamente da vida de jogadores e técnicos, contribuindo também para tornar milionários clubes e atletas que promovem apenas circo nesta pátria de meu Deus. E, afinidade por tudo isso, certamente que ainda não bateu à minha porta.

Tecer comentários sobre a Amazônia e de como governantes corruptos a vendem ou fingem não saber que aliens, aos poucos, dela se apropriam, é outra questão que me aborrece. Por isso, recuso-me a redigir uma linha sequer.

Explanação sobre a miséria humana, nem sempre caracterizada pela falta de dinheiro, é bom nem tentar. Claro que seria uma boa maneira de bulir com a mente leitora que, tudo indica, anda um tanto enfastiada com a inteligência minguada do outro. De qualquer forma, é bom não desafiá-lo.

Sim! Por que não?! Falarei sobre a esperança, inspiração que partiu agora de um programa que acabo de ver na TV em que o apresentador fala justamente dela, da esperança e sua aposta em algo bom para o futuro. Mas perco logo o entusiasmo: o comentário deveras curtinho do homem, não demora em ceder lugar ao noticiário falando da morte no rio e no mar em dois naufrágios. Relata também, o telejornal, atentados em países diferentes, que espalharam sangue e concreto para todos os lados. Desligo a TV. Recuso-me, pois, a dar Ibope à desesperança, a despeito de sua presença viva e frequente nas telas da vida.

Corro, então, para a rua, espio à minha volta à procura da tal esperança que oxalá tivesse escapado da TV e pairasse agora pelos céus do mundo. Mas não a vejo, nem no rosto das pessoas, nem em parte alguma. Mais uma vez fora devorada pela tragédia humana que se sobressaiu nas telas.

 

 

PROF.RODOLFO DE SOUZA

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