VIVA O FERIADO!

Parece que poucos países no mundo desfrutam de tantos feriados como o Brasil. Aos olhos de uma determinada camada da sociedade, a que dá as cartas, talvez denote exagero tanta comemoração, que por certo acaba por tirar do trabalhador o afã para o trabalho, sina para a qual fora criado, afinal de contas.

É possível até que sejamos motivo de inveja para as populações do mundo, pouco ou nada habituadas ao descanso prolongado, feriadão que superlota as rodovias apinhadas de gente que não perde a oportunidade de se refestelar em outros terreiros.

O feriado é, pois, cultural aqui em pátria de meu Deus. Desde o início do ano é preocupação das pessoas tomar nas mãos o novo calendário só para deitar nele o dedo frenético e contar os dias em que poderão deixar o batente de lado e entregar-se à exaustiva tarefa de ficar à toa. Se o estrangeiro não sabe o que é isso, pobre dele que um dia desdenhou da pátria Tupinambá e guiou sua cegonha para outra direção.

Pois é, aqui nós temos carnaval que, em algumas partes do país, tem início semana antes e término, semana depois da data oficial. É festa que não acaba mais, sempre regada de muito suor e cerveja.

Aqui em território verde-amarelo é assim, tem sexta-feira santa, que de triste não tem nada, embora esteja aí para lembrar a morte do Cristo. Mas por que aborrecimento se o que vem depois é a ressurreição? Tratemos logo de cair na farra! – grita a rapaziada.

Muita festa também se faz, por causa da execução do mártir que jamais imaginou o quanto o povo que ainda viria a nascer, apreciaria a sua causa. Até porque, sem ela esta data não passaria de um corriqueiro e funesto dia de trabalho.

No dia do trabalho, aliás, quase ninguém trabalha.

Festança no arraiá arrasta multidões para as ruas semanas e mais semanas, e o forró dá o tom das comemorações em regiões mais quentes e arretadas do país.

No dia da pátria então, quando há feriado prolongado, o povo se reveste de um civismo tocante e parte logo para a praia.

Mas na celebração de Aparecida, os romeiros seguem o seu ritual à risca, isso sim, embora, os demais só pensem mesmo em desfrutar do merecido feriado, claro. Muitos até nem sabem a que santo é dedicado o dia. O que importa mesmo é celebrar a folga!

E, por tocar neste assunto, é sempre bom lembrar que os mortos também têm lá o seu dia, embora sem utilidade prática para eles, alminhas para quem o feriado é eterno.

O apego dessa gente brasileira por um feriadozinho, afinal, é tão grande que dedicaram um dia santo até para o augusto golpe de estado que inaugurou a prática da coisa em sua querida pátria idolatrada. Imagine! Poucos, inclusive, sabem o nome do marechal que se declarou o primeiro presidente da república recém instaurada. Só sabem que é feriado. É o que basta. Mesmo porque, o brasileiro tanto se habituou aos golpes que nem sente mais o seu peso nos ombros. Tornou-se banal!

E o dia da consciência, comemoração nova que só veio para acrescentar, heim?! Diga-se de passagem, é bom parar por aqui e nem mencionar os feriados municipais. Pode pegar mal.

De qualquer forma, viva o feriado! E que venha o próximo!

 

 

PROF.RODOLFO DE SOUZA

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