Fonte de inspiração para um cronista que também dedica parte de sua vida à particularmente gratificante arte de ensinar, é observar o domínio que o lado obscuro da vida exerce sobre as pessoas. Logicamente que não desfilo incólume por esse mal, já que disputo com os demais habitantes deste planeta, um palmo de seu solo, um bocadinho de sua água e de seu ar, além de toda hipocrisia inerente ao seu mais sublime habitante. Mas eu me esforço e cobro de mim postura menos mesquinha com relação às coisas deste mundo. Talvez a consciência da condição humana ajude a pensar que é preciso muita força e presença de espírito para não escorregar e ser engolido pelas armadilhas que cada esquina nos reserva. Elas que fazem do homem torpe figura a perambular pela terra, sempre de olho em qualquer possibilidade de passar a perna no semelhante, e cheio de medo de levar, também, uma rasteira.
Um exemplo desse tipo de conduta está na política, profissão tão disputada e invejada, possivelmente a mais generosa atividade quando o assunto é deitar a mão em riqueza alheia, maneira de se levar bem a vida em prejuízo do outro. É, sem dúvida, a grande vilã, embora não a única. Muito se fala, inclusive, sobre a suspeitíssima dificuldade em se encontrar a cura do câncer que fomenta um negócio que rende fábulas aos cofres do segmento farmacêutico. Procede, pois, a desconfiança, afinal o empresário desse meio não deve ser lá muito a favor da erradicação do mal. Não o condenemos, todavia. Difícil, porém, é convencer o doente.
Outra questão que nos chega devagarinho aos ouvidos diz respeito ao aquecimento global. Há cientistas jurando de pés juntos que houve um calor semelhante na idade média, quando não havia excessiva concentração de dióxido de carbono na atmosfera. Dizem até que o mundo passa por períodos de aquecimento e desaquecimento com alguma periodicidade e que a ciência politizada se aproveitou disso para criar o espalhafato que ora atemoriza a população. Verdade ou mentira, o homem comum não tem como saber. Desconfia simplesmente, colhendo dados aqui e ali, como aquele e-mail comprometedor, trocado entre os papas da ciência, que teria deixado clara a intenção de se criar um bafafá, colocando em xeque a tão propalada teoria do efeito estufa.
Acontecimentos assim de repercussão mundial, ou fatos isolados, deixam claro que a mente humana tem muito que evoluir para aprender a lidar com o poder econômico e não ser dominado por ele.
Distante, porém, esse dia, é o sentimento que bate no peito quando trafegamos distraídos a cinquenta por hora numa via que comporta seguramente velocidade ainda maior, e a autoridade do trânsito estipula quarenta, dispondo, volta e meia, no local um radar móvel com o descarado objetivo de faturar, surrupiar o suado dinheiro do outro, exaurindo também sua paciência. Por certo aí, o quesito segurança e o respeito ao próximo, há muito ficaram esquecidos.
PROF.RODOLFO DE SOUZA
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