AGRESSÃO BARATA

O grande urso branco meteu os pés pelas mãos quando determinou a execução do respeitado e idolatrado chefe de tribo nada amistosa, segundo seu parecer. Tencionava, ao que tudo indica, colocar em prática estratégia, um tanto comum lá na sua nação, que consiste em se promover um conflitozinho como forma de ganhar prestígio junto ao eleitorado, este que normalmente adora ver sua poderosa pátria fazendo justiça junto aos algozes comedores de criancinhas.

Parece, contudo, que desta vez o urso foi longe demais. Talvez tenha lhe faltado alguma malícia no trato com a coisa, afinal. Fato é que meteu a mão em vespeiro, e fez com que o mundo se sentasse confortavelmente num barril de pólvora que é o clima tenso que se estabeleceu a partir de então.

Outras tribos de igual capacidade bélica e econômica levantaram a voz contra o homem do topete, fator que em nada conbribui para o sucesso da empreitada, embora ninguém saiba mesmo onde é que isso vai parar. O povo do país agredido foi às ruas em protesto, pedindo a cabeça do grande chefe, que anda dando cabeçadas só comparáveis a certos caciques de tribos localizadas abaixo do Equador.

Aliás, fica difícil definir aqui, neste bate-papo, se a lambança maior do chefe foi ter cometido o crime ou tentar justificá-lo. Desculpa pra lá de esfarrapada é o que o líder supremo do grande império usou para se desculpar por tamanha bobagem. 

Mas é esse o perfil do bicho homem, afinal de contas. 

Trocando em miúdos, neste momento o ser humano está prestes a desencadear outra guerra, como forma de alinhar as coisas e fazer com que ocupem o seu devido lugar. Isso é o que passa pela cabeça de um determinado seguimento da população, que se revolta com o atrevimento do restante do povo do mundo, que insiste em permanecer na luta por um lugar neste solo. Apesar de que fica difícil imaginar um planeta todo ele de uso exclusivo dessa parcela que condena outras formas de vida, outros credos, outras culturas, outros povos. Gente que não tolera ter de dividir o ar que respira com essa gente que sua a camisa para conquistar o ganha-pão e continuar nesta dura caminhada.

Em Pátria Tupinambá, onde a desigualdade social é gritante, a elite também sonha com um país livre de pobres, inteirinho à disposição da camada mais abastada, que luta para manter no poder gente desqualificada, sujeita aos seus desmandos. E o povo sofre. Sofre e agora se vê diante de outra crise mundial. Fala-se até em terceira guerra, mau presságio que leva medo ao olhar da pessoa simples. É certo que, para quem viveu nos tempos da guerra fria, essa conversa já não soa assim tão alarmante, embora tenha consciência de que o ser humano é capaz de qualquer coisa para ganhar o poder ou se manter nele, e isso já é suficiente para deixar qualquer um com a pulga atrás da orelha. 

Acho que o melhor mesmo em momento tão crucial é não pensar no assunto. No assunto de lá e no assunto de cá. Senão é bem capaz de enlouquecermos.

 

PROF.RODOLFO DE SOUZA

 

 

 

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