DECRETO CLIMÁTICO

Recentemente baixaram uma medida (dentre tantas) proibindo a incidência de raios solares aqui, bem abaixo da linha do Equador, mais especificamente nesta parte do imenso território Tupinambá, onde a grana fez morada um dia. Nada de mais em tal determinação, a despeito do frio que resolveu chatear a estação mais quente do ano.

E fevereiro, mês mais calorento, foi mesmo assim, com temperatura que encontrou dificuldade em ultrapassar os vinte graus. Onde já se viu? Aqui nesta garbosa pátria paulistana, então, chuvisco é prato de todos os dias. Lembra até a velha São Paulo da garoa, que deixou saudades.

De fato nunca se viu teto tão sombrio em início de ano. O friozinho, aliás, lembra muito as noites de junho, exceto pela chuva fina constante que espalha umidade noite e dia, deixando molhada até a alma. Já se percebe, inclusive, um cheiro de mofo no ar da região. Será mesmo que São Pedro se intimidou e deu ouvidos ao algoz que, dentre tantos projetos nefastos, também elaborou este, simplesmente por não gostar da luz? E note, amigo leitor, que março começou na mesma toada.

Não que eu não aprecie um tempinho fechado, de chuva gostosa, de garoa, sobretudo quando o calor faz colar no corpo a camisa do dia a dia. No entanto, começo agora a sentir a falta do astro rei, que, volta e meia, aparece, embora volte logo para o seu aconchego sideral, deixando-nos à mercê das nuvens impiedosas. Por isso, não tem sido fácil apreciar um céu azul, tão comum nesta época do ano.

Mas não houve alteração climática. – dizem alguns, para quem destruir a imensa floresta não causa danos, só benefícios. Logicamente que esbanja felicidade a extrema minoria da população que se farta com tais benefícios, ignorando o fato de que um dia todos terão que pagar a conta pelos desmandos que promovem a destruição da grande mata.

Claro que não pretendo relegar ao desastre ecológico ora em curso, o verão frio e molhado ao qual estamos submetidos neste exato momento. Mas que o sinistro lembra, lembra. Assumo o fato de não ser técnico para argumentar com precisão acerca de assunto tão delicado. Entretanto, considero suficientes os dados de que disponho, para elaborar alguma conclusão a respeito da insanidade climática que presenciamos todos os dias ultimamente.

E o canto lá fora é o mesmo, semana a semana: a música entoada pela precipitação incansável e incontida que respinga pela calha, escorre pela calçada, encharca a vida e tolhe a alegria de viver. Até porque, este momento da existência já anda meio frio e coberto de névoa, carente de um raio de sol que lhe mostre que nem tudo está perdido.

Dizem que o frio naturalmente tende a deprimir as pessoas. Concordo. Somando-se, então, esta situação climática à atual conjuntura mundial, nacional e tal, conclui-se que é preciso muito fôlego e vontade de tocar o barco para não sucumbir ao desalento. Aliás, de todos os males, frio e garoa em pleno verão é o que menos importa.

PROF.RODOLFO DE SOUZA

 

 

 

 

 

 

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