A Terra fala e sua fala é silenciosa. Ou talvez não seja. Confundo-me ao pensar sobre isso no meio da noite, hora em que alguns escritores costumam acordar com pensamentos perturbadores, e deixam suas camas em busca do papel que deverá abrigar o que lhes vai na mente inquieta.
Ouço ao longe a TV que insiste em permanecer ligada em tempos de confinamento. No alvorecer de um novo dia, o jornal da madrugada revela um terremoto na Rússia. Isso mesmo. Quando o assunto gira em torno da pandemia, surge um terremoto que bate 7,5 e ameaça provocar tsunami que certamente alcançará a costa de país distante qualquer. Tempos difíceis estes em que o planeta se manifesta e parece dizer algo como “chega”.
Jamais, em tempo algum, pensei que testemunharia no cotidiano da vida a ficção das telas. Aquelas cenas horríveis e catastróficas que preenchem nossos espíritos pelo delírio em si e por sabermos que fazem parte de uma história imaginada, inventada, tão somente.
Mas hoje a realidade das telas teve a ousadia de deixá-las para bater à nossa porta, pobres mortais que perambulam por esta Terra, certos de que exercem pleno domínio sobre ela e seus segredos. Equívoco dos equívocos que agora leva o mundo ao pânico. Medo instaurado pela doença e pelas perdas econômicas advindas do mau funcionamento do capitalismo e da praga, propriamente dita. O terremoto em meio ao caos se afigura somente como sendo só mais um detalhe. Algo que chegou para realçar a tragédia que se abateu sobre o mundo.
E uma série de conjecturas se espalha pelas redes sociais, pelos jornais e pelas bocas, aqui e ali, acerca da origem da peste. Logicamente que de nada adianta buscar culpados, embora algumas pistas nos levem a desconfiar de manobras que visam ajeitar as coisas no planeta redondo em que vivemos, sem consultar a população, obviamente.
Os números! Ah! Os números! Estes assombram. E há um murmúrio constante no ouvido de quem lê, de quem busca incessantemente a informação. Suspeita-se mesmo de que as cifras são bem maiores, aqui e acolá, embora não se tenha lá muito ensejo pela verdade nesta questão. Já está bem ruim assim, do jeito em que está. Deixe que mintam. Talvez seja melhor!
Aqui na garbosa Pátria Tupinambá crescem a olhos vistos os casos de gente infectada pela porcaria que veio só para incrementar a crise política e econômica que já vinha desempenhando grave papel na conjuntura nacional. Parece, inclusive, que uma reviravolta se dará em tempos de praga. O mundo, aliás, jamais será o mesmo, segundo a opinião de especialistas no assunto. Gente que já esteve às voltas com guerras, pestes, ditadores, terroristas e coisa e tal. Confio neles. Mesmo porque, o que se vê à nossa volta é desalentador. Não há mesmo o que comemorar e, a cada dia que passa, os discursos inflamados deixam claro que há uma luta travada no sentido de lançar esta grande nação na fogueira da miséria, irreversível em curto prazo.
PROF.RODOLFO DE SOUZA
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