SER HUMANO É ISSO

Neste momento de medo, em que o vírus tinhoso volta com mais força, pergunto a mim mesmo se o perigo está só na molécula daninha ou também no ser que a aconchega no peito, negando sempre a sua existência.

Ainda agora, vi reportagem que falava sobre grupos de pessoas festejando sabe-se lá o quê, outras reunidas em bares nas noites, muitas em pancadões e no samba, outras tantas na porta de estádios… Multidões, na verdade. Contingente que bota no chinelo qualquer apelo contra a aglomeração. Desnecessário, inclusive, destacar que toda essa gente não utilizava máscara e, por conseguinte, o bom senso que pede o distanciamento. Todos, portanto, de costas para a doença que não brinca em serviço, segundo mostram as estatísticas que apontam números cada vez maiores. Este, afinal, é o ser que, de acordo com as escrituras sagradas, foi considerado a melhor das criações divinas. Bicho que adora celebrar qualquer coisa, e que já planeja dar festas nas UTIs das grandes cidades. Pacientes, aliás, não há de faltar. Todos sem máscara, talvez com um tubo grosso metido na garganta, com o nível de oxigenação em baixa e o de arrependimento em alta.

Não obstante a inteligência soprada no nariz desse povo todo, alguns insistem em trafegar na contramão do que é sensato, do que é lícito e justo. E muito falam, e muito propagam a ignorância servil pelos quatro cantos, sempre orgulhosos dela. Falam a ponto de fazerem doer meus ouvidos que não suportam mais o produto da pobreza mental que parte de suas bocas dioturnamente, sobretudo, das que ora ocupam o poder. Logicamente que há plateia, do contrário, sem aplausos, se calariam. Mas quem aplaude? Aqueles que estiveram indiferentes ao esforço do mestre quando este tentou lhes explicar o significado da palavra sensatez. Aqueles que olharam distraídos pela janela ou que dedicaram atenção exclusiva aos fuxicos, às brincadeiras e desdenharam do ensinamento oferecido pelo professor e pelos livros.

E, por causa deles, o mundo está ficando cada vez mais feio, e a vida, cada vez mais difícil de tocar. Tudo porque rejeitam o uso da sabedoria como único meio de se encontrar o caminho para uma existência digna para todos. Para todos, diga-se de passagem, é outra questão, talvez a mais difícil de encarar, tendo em vista o apreço nenhum que a fatia abastada da sociedade nutre pelo semelhante de parcos haveres. Lembrando que esse mal não é exclusividade desta imensa pátria Tupinambá. Domina, pois, a consciência das pessoas mais ricas desde que o homo passou a ser sapiens.

E a intolerância, qualquer que seja ela, é característica das mentes pobres que disseminam o ódio e promovem agressões de todo tipo, privilegia a violência em detrimento ao direito de se viver em paz e dá as costas para as campanhas que pedem distanciamento e paciência enquanto a vacina não chega. A inteligência minguada nega, pois, a realidade dos fatos, é míope para o que lhe vai diante dos olhos e proclama, em nome de uma justiça que inventou, a necessidade do espancamento, do assassinato, da ofensa gratuita e do pouco caso com o vírus que vem matando por atacado, aqui e no mundo.

E o povo sofre pelo descaso com os testes esquecidos no armazém do aeroporto, pela fanfarronice do poder que estimula o desdém para com o distanciamento e o uso de máscaras… Pelos crimes sem punição… Pela morosidade da justiça…

Sabe, amigo, há tempos eu sinto falta da crônica bonitinha, bem comportada, carregada de poesia, que, matreira, se deleita em bulir com o sentimento leitor. Tenho, a cada semana, planejado escrever um texto nestes moldes, como fiz tantas vezes. Entretanto, a dureza da vida em tempos de pandemia e de inconsequência política, sempre desvia a minha escrita para temas apimentados e necessitados de ter a sua cara estampada aqui neste espaço. Fazer o quê?

PROF.RODOLFO DE SOUZA

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