O CLIMA DÁ A RESPOSTA

Chovia antigamente. É certo que chove ainda hoje. Só que outrora chovia direitinho, no momento certo, sem inundações que engolem casas e gente mundo afora. E o paradoxo dos novos tempos ainda se impõe nos consideráveis períodos de seca aqui e acolá, que fazem lembrar o cenário de Graciliano. Incêndios devastadores também realçam o quadro de devastação, engolindo o verde e matando a criatura que nada fez para que tudo ocorresse dessa forma. Situação que se tornou corriqueira, e que já faz parte do sonho da geração atual vê-la alterada, uma vez que continuar a perambular por muito tempo sobre este solo arredondado, anseio de todos, depende disso.

A saudade por certo que não pesa nos ombros destes, que não passaram da eufórica flor da idade, mas que, mesmo assim, assistem com preocupação ao desenrolar dos fatos que os noticiários trazem diariamente.

E o pitoresco da situação, de qualquer forma, serve como inspiração para que se conceba uma obra de tom acinzentado e funesto de tudo que nos cerca aqui e longe daqui. Apesar de que o lugar que me prestigiou ao estender-me as mãos quando da minha chegada a este plano, em época que já vai longe, é o que utilizo como parâmetro para efetuar análise mais profunda da situação, eu que nem técnico do clima sou. Limito-me, pois, a buscar, como qualquer um, a informação que me chega trazendo notícias deste vasto rincão e dos demais continentes. Observo também. E, a partir da observação, aproveito-me, sem qualquer pudor, da generosidade do meu rico idioma para tecer comentário sobre o que assisti e o que assisto agora, neste meu garboso São Paulo, em especial na megalópole com sua vasta região metropolitana, cidades que juntas carregaram por décadas a alcunha de terra da garoa. Sim, porque garoa havia aqui. Não esse fiapo que sobrou da umidade que reinou soberana um dia. Época boa, de chuva farta.

Mas o tempo mudou. O tempo tempo e o tempo clima. A ação daninha do ser humano na Terra resultou em alteração no comportamento climático, cujas consequências futuras apontam para um cenário sombrio. Por enquanto o que se vê já é de causar muita apreensão e vontade nenhuma em pensar sobre o caso, sob pena de se perder o sono e cair num desalento que só vendo. Tudo porque a compulsão pelo dinheiro tornou o homem cego para a questão ambiental, mesmo sabendo de longa data que esta é única casa que possui. Por que então fazê-la ruir em sua cabeça? – é o que me pergunto constantemente. Resposta não há.

Alguns países ensaiam ações com vistas a conter o avanço do flagelo. Outros, como este vasto picadeiro, sobre o qual faz piruetas o alegre palhaço, caminham na contramão, firmes no seu propósito de destruir a natureza e indiferentes aos apelos de quem vê com clareza as consequências disso.

Mas as represas estão secando, sedentas da umidade que a Amazônia deixa de mandar. Deixa de mandar, porque sucumbe à voracidade da motoserra, sem que mão alguma apareça para conter o sinistro.

A politicagem que desgraçadamente governa este país continente vem matando a Amazônia e toda a vida que dela depende, inclusive a nossa.

PROF.RODOLFO DE SOUZA

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