ESPERANÇA, ALIMENTO DA ALMA

Esperança não vem do verbo esperar, vem do verbo esperançar, palavras do grande educador e pensador Paulo Freire. Esperança é, por assim dizer, um anseio que faz parte da essência humana desde que o ser ganhou, com toda a justiça, o status de sapiens, o que, convenhamos, vem de longa data.

De lá para cá a roda da vida deu infindáveis voltas, tanto que nos trouxe para este ponto em que nos encontramos, eu e você, caro leitor. Tempos de agruras… como os que se foram, a despeito da impressão que se tem de que outrora vivia-se bem melhor. Conversa! A contramão do bom senso é tão antiga quanto o ser humano. Provavelmente tenha nascido com ele. E, em tempos atuais, o homem continua imbuído do mesmo afã de alcançar o ponto mais alto do pódio, mesmo que para isso tenha que atropelar o semelhante que provavelmente não tenha sido dotado das mesmas facilidades de acesso à informação e ao conhecimento. Falo de uma necessidade compulsiva de conquista de poder e acúmulo de bens que habita, incólume, o âmago de grande parte das pessoas, e que ainda tornou-se mais acirrada graças às facilidades tecnológicas, que fazem chegar às mentes pouco ou nada esclarecidas, em tempo real, mensagens que visam tão somente ludibriá-las.

Mas há esperança, que ninguém duvide. Fala-se dela em época de guerra, de fome, de crises humanitárias, de peste ou de tudo isso junto, como o que vive o mundo contemporâneo. E esperar que melhore é tão somente esperar. Já esperançar vem de lutar, perseverar e aí sim, aguardar os resultados.

Admito que no mágico mundo das palavras a luta diária ganha um aspecto de simplicidade e de soluções rápidas e poéticas à disposição de todos. Sabemos, no entanto, que não é bem assim. Sabemos, inclusive, que as palavras ganharam magia justamente por causa das batalhas do dia a dia, muitas inglórias, diga-se de passagem.  

Todavia, diante do número de vacinados, que começa a ganhar expressividade nesta nossa imensa pátria, momentaneamente entregue às moscas, é que os corações voltam a se encher de esperança. Mesmo que as cifras assustadoras venham nos soprar nos ouvidos a realidade de que pessoas ainda morrem aos borbotões todos os dias e da gente desempregada, desesperada e faminta a perambular, desalentada, pelas cidades. Mesmo assim, um raio de sol vem das raras boas notícias garimpadas aqui e ali, que confortam nossos espíritos exaustos de tanto medo e ansiedade.

E, em meio a esse torvelinho, o que se percebe é o destaque de um verbo entre os verbos: o verbo sonhar. Sonha-se, pois, com o desaparecimento da peste e demais moléstias que tornaram doente esta nação empobrecida pela insanidade que tomou as rédeas e desviou do rumo o projeto de um país melhor, com uma sociedade mais justa. Mas o sonho permite esperançar novamente, e a luz no final do túnel indica uma saída que se aproxima. É possível que venha com o fim da doença e com o amanhecer do derradeiro dia em que o mal será derrotado, deixando livre essa gente que, tudo o que mais deseja, é viver a sua alegria e a sua musicalidade que canta a esperança desde sempre.

PROF.RODOLFO DE SOUZA

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