Parece que a palavra pandemia, por muito tempo esquecida, veio para assumir seu
lugar dentre as mais prestigiadas, e, não satisfeita, procura ainda ganhar mais destaque, oxalá
o protagonismo no pronunciado mundo das palavras. E ela sabe que a concorrência é grande.
Sabe que muitas se conservam na dianteira nesta disputa acirrada para assumir o ponto mais
alto do pódio. De fato não é fácil competir com violência, miséria, covardia, corrupção,
negacionismo, medo, insegurança… Complicada, enfim, essa vida das palavras que buscam se
projetar acima das outras, ganhar ainda mais notoriedade num mundo em que vocábulos
como amor, empatia e compaixão foram empurrados para o final da fila, sem o menor pudor.
Mas pandemia agora é termo que se esforça para se impor, tendo em vista a sua
importância em relação às demais. Importância, dada à sua presença marcante e constante no
seio da sociedade. Ele chegou, afinal, e se acomodou por meio de um vírus que criou uma
doença que se espalhou pelo planeta, foi contida pelas vacinas e voltou com as chamadas
novas variantes da molécula que faz cópias diferentes de si mesma para continuar
sobrevivendo. Portanto, mesmo não sendo a palavra mais falada, ela procura marcar presença
por estabelecer um relacionamento firme e duradouro com o medo, a desconfiança, a morte e
demais termos que reverberam nos ouvidos em função dela, da pandemia.
Agora, por exemplo, em momento em que o mundo já começava a vislumbrar um
horizonte sem a peste, surge uma nova variante. E tudo indica que ela veio determinada a
trazer recordes de internações e pânico. Isso, somado a um novo tipo de gripe que vem se
espalhando, sobretudo, em Pátria Brasilis, e confundindo as pessoas, que não sabem se seu
corpo abriga uma coisa ou outra. Corre-se, então, para o teste. Mas está em falta o teste! O
governo, responsável pela compra e distribuição do produto, parece pouco ou nada ocupado
com a questão.
As notícias diárias são alarmantes e colocam pessoas e empresas em polvorosa.
Profissionais da saúde e de outras categorias, vêm se afastando do trabalho em razão da
doença contraída, estado que lhes impõe obviamente a confinação.
Mas parte da população não se importa, simplesmente porque se recusa a acreditar na
letalidade da coisa. São pessoas de parco saber que se entregam de corpo e alma à conversa
fiada, caminho aparentemente mais confortável e fácil de seguir. E é justamente esse povo
que renuncia ao seu direito à vacina, se adoece e, com alguma frequência, tem seus restos
mortais conduzidos ao esquecimento.
Muito se fala sobre a necessidade de novamente se isolar, embora nem as autoridades
saibam exatamente o que fazer. Talvez correr para algum canto com as mãos na cabeça, e
pedir a clemência divina seja a melhor saída. Refiro-me, claro, às lideranças mundiais de um
modo geral. Quanto ao sinistro que acomete a gente alegre deste vastíssimo território
Tupinambá, os líderes desse povo já têm a solução: (abusando da velha linguagem coloquial)
deixar pra lá, empurrar com a barriga, fingir que nada está acontecendo. Aliás, se não
submeter a população à testagem em massa, não se tem os números de casos. Cria-se, então, a
aparência de uma normalidade pré-pandemia. Muito conveniente para que busca algum número a mais nas pesquisas.
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