Um fenômeno se abateu sobre este vasto e empobrecido rincão nos últimos anos. Falo de um tipo de personalidade… isso mesmo, algo implícito na figura humana, que ganhou voz e poder sobre as criaturas pacatas e distraídas com as quais divide este espaço e este ar. Ar, diga-se de passagem, trazido das entranhas do inferno, que, carregado de enxofre, tirou de seu sono letárgico as hordas que jaziam aqui neste plano à espera de um líder que deixasse seu reduto obscurantista para atraí-los e seguir na sua dianteira.
Não é de hoje que o incômodo causado pelas pessoas de pouco trato no tocante ao escrúpulo, é pedra no sapato de gente que nem desconfia de sua presença e influência nefasta, embora sofra as consequências de suas ações. Esse povo não é capaz sequer de percebê-los, porque passou a vida longe dos livros e sua inteligência não experimentou as delícias da expansão que lhe proporcionaria visão mais ampla acerca de tudo o que ocorre à sua volta. Permanece míope, portanto, boa parte da gente deste solo.
E foi nesses últimos tempos, coisa de três anos, pouco mais, que o mau gosto se impôs como tendência nacional, justamente porque muitas criaturas que deixaram as sombras ganharam espaço cada vez maior nas mentes pouco ou nada esclarecidas. Mentes estas que se deixaram levar pelos ventos do engodo, da mentira e por outros tipos de armações que vêm conduzindo a população, como um todo, à derrocada social.
Manifestam-se, os seres da escuridão, utilizando palavras e gestos grosseiros, e se identificam com todo tipo de má-conduta e violência. Têm como ídolos assassinos e torturadores. E essas criaturas procuram se impor sobre os seus pares, intimidando-os com seu aspecto físico, normalmente parrudo, cara de mau e palavras de ordem. Zombaria e cinismo também são ferramentas de que se valem para atingir pessoas de opinião contrária à sua. O pensamento oposto, de fato, torna-os ainda mais desequilibrados, simplesmente por não saberem como lidar com ele. Sua dificuldade em ouvir uma crítica e defender suas ideias, torna-os mais vulneráveis, a despeito de sua aparência determinada. A agressão é, pois, seu instrumento de defesa contra o argumento sustentado em bases sólidas, coisa que definitivamente está muito distante do seu entendimento.
Para reconhecer esse tipo num embate basta verificar o discurso vazio de alguém que tenta desesperadamente defender aquilo que considera correto, embora não seja. O fanatismo por um líder e suas ações expõe a fragilidade de quem se coloca incondicionalmente ao lado daquele por quem sente afinidade doentia. São afins no perfil agressivo e intolerante, e seu vocabulário, precário em recursos linguísticos, realça ainda mais sua personalidade de parco saber. A boa educação, a cultura em geral e o pensamento refinado soam aos seus ouvidos como provocações que devem ser retaliadas de imediato.
Por fim, a constatação a que se chega é de que uma mente assim, quando estimulada, busca na arma o seu refúgio. É com ela que irá enfrentar aquele que lhe fizer oposição política, por exemplo. Covardia, afinal, é a bandeira pela qual jurou lealdade nesses tempos conturbados e difíceis de engolir.
PROF.RODOLFO DE SOUZA
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