DESALENTO TELEVISIVO

Eu ligo a televisão e, minutos depois, me pego arrependido, uma vez que assisto somente aos noticiários, programas que pouco ou nenhum alento trazem para o coração. Sinto-me até meio masoquista com o simples ato de ligar o aparelho. Se dedicasse o meu tempo televisivo para ver big brother, novela ou qualquer bobagem do tipo talvez não sentisse o peito tão apertado. Os telejornais de hoje, por exemplo, mostram incansavelmente a tragédia dos alagamentos que destroem a vida de quem mora em lugares sujeitos a eles. São relatos de gente que perdeu de objetos a casas inteiras, de pessoas da família a família inteira, todos engolidos pela água que não é sensível à condição humana. São cenas registradas pela tecnologia que perambula aleatória pelas mãos, que não se dão conta disso quando seu olhar está todo ele voltado para o desastre.

A guerra, esta que espalha morte e destruição no lugar onde antes o cotidiano das pessoas caminhava tranquilo, veio para conferir um tom mais pungente ao comentário jornalístico, que ainda é ilustrado por um cenário desolador e deprimente.

Pilhagem dos cofres públicos aqui neste vasto circo, que subtraem os recursos necessários para tornar menos penosa a vida da população, são denunciados todos os dias pelos jornais. São quadrilhas se deleitando com o enriquecimento ilícito, livres de qualquer ônus pelos crimes cometidos. E esse sentimento de impotência, do qual sou acometido diante do escárnio oficial, também me conduz à depressão. A mim e a qualquer outro de cujo cérebro parta um fiapo de pensamento que tenha sobrevivido à futilidade dos tempos modernos.

A grande floresta é dizimada a olhos vistos, e não há mão que detenha o algoz. Desanima assistir a isso também, certo de que o nosso dinheiro é usado para subornos necessários quando se pretende levar a cabo este e outros projetos igualmente nefastos.

Insisto nos noticiários, no entanto, porque considero de suma importância saber das coisas, uma vez que dependemos da informação para analisar de forma razoável o cenário que nos cerca, uma forma de, quem sabe, colocar nos trilhos a composição que descarrilou. Deve haver algum jeito! – indagação que sempre me ocorre. Admito, porém, que nem tudo é possível mudar. Como venho repetindo incansavelmente, todo o mal que paira sobre nossas cabeças, paira impávido e incólume. Mesmo assim, procuro me manter atento, afinal, a fórmula deve estar escondida em alguma equação, dessas que ficam perdidas numa volúpia de números e símbolos que fazem a alegria dos matemáticos.

Às vezes penso em ficar mesmo nos filmes e séries ou ainda me enfiar de vez nos livros e viajar, navegar pelas suas páginas, mergulhado nas ideias de gente que, além de possuí-las, soube como ninguém transformá-las em palavras para que o olhar inquieto pudesse extrair delas a seiva necessária para se entender tudo isso, ou, pelo menos parte disso. Afinal, só da mente sábia pode brotar a solução, ou talvez uma saída que nos conceda a liberdade. Proponho, então, caríssimo, pensarmos com seriedade a respeito, já que nossos destinos estão atrelados a tudo o que ocorre neste mundo, quer aceitemos ou não.

PROF.RODOLFO DE SOUZA

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