É ano de eleições, e há um furor político, diga-se de passagem, um tanto comum nessa época. Os candidatos estão afoitos, em busca de apoio e grana para a campanha. Muitos até deixaram o conforto dos altos cargos no planalto central para buscarem uma vaga no congresso ou no senado. Certamente lá, naquelas casas, o sossego é ainda maior, e o salário compensador. Quem há de duvidar? Além, claro, das oportunidades de negócios com os vários poderes que cercam o poder. Tudo na calada da noite, ou do dia mesmo. Eles não se importam mais. Mesmo porque, se o político não se candidatar a presidente, uma vez eleito, poderá tocar a vida como o diabo gosta, sem aporrinhação.
E o povo vai às urnas, porque é de eleições que se faz uma democracia. O problema, contudo, está nos critérios para a escolha do candidato, que levam em conta desde a religião do sujeito, seu perfil espalhafatoso, seu físico parrudo, até seu poder de persuasão, que consiste, quase sempre, num amontoado de mentiras, aceitas como verdade por um público que passou a vida longe dos livros.
Os preços estão nas alturas, não há emprego, a violência tirando o sono da população, a devastação da grande floresta, o assassinato de índios… A falta de perspectiva, enfim, é desalento constante. E os candidatos, em cujo discurso repousa a promessa de solução de todos os problemas do país, logo se distraem e levam para o fundo da gaveta a vontade de trabalhar em prol da população. Gente importante somente em época de pleito. É preciso, pois, beijar crianças pobres, tomar café em botecos e comer pastel na feira. Aliás, o pastel da feira se tornou, nos últimos tempos, peça imprescindível na campanha. Uma espécie de marca das eleições, em que o candidato se disfarça de povo para angariar votos.
Porque são locais frequentados normalmente por pessoas simples, que não têm para onde correr, e acabam sempre na boca do leão, esses locais são escolhidos para a farra da hipocrisia.
De qualquer forma, é preciso votar, escolher aquele que deverá representar o povo no congresso e nas assembleias legislativas estaduais. Mesmo que não passem de calhordas os candidatos, cujos olhos gordos estão sempre voltados para o leite que jorra fartamente das tetas da coisa pública. Apesar de que um dia, tenho esperança, esse povo há de acordar e acertar na escolha. Sonho bom de quem acredita que chegará o momento em que o eleitor saberá que não pode eleger os mesmos, aqueles que falharam brutalmente na defesa do bem público e das pessoas. Democracia é isso, afinal.
Mas é bom ficar de olho: há um ensejo golpista partindo das mentes tortuosas, que nada sabem sobre ditadura e suas consequências em curto e longo prazo. Elas imaginam um poder absolutista que tenha a liberdade como principal estandarte, que permita ao cidadão se manifestar, questionando e criticando o governo quando necessário; sem prisões, torturas e censuras. É por isso que essa gente de parco saber anseia, pedindo ditadura. Imagine só, amigo e paciente leitor!
PROF.RODOLFO DE SOUZA
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