E RUFAM OS TAMBORES

O bufão se apropria da mente insana para promover a festa que, segundo o seu entendimento, hasteará a bandeira da liberdade para o seu povo. Não explica, todavia, que tipo de liberdade terá para oferecer a essa gente, caso leve a cabo o seu projeto de tomada de poder na marra.

Mas aqueles, a quem o bufão trata de povo, estão cegos, e sua visão nenhuma os impede de perceber a realidade dos fatos, razão pela qual lhe é fiel e deposita plena confiança nas suas palavras. A inteligência minguada dessas pessoas não lhes permite saber, por exemplo, que não se pode desfrutar de liberdade alguma em país tocado por um governo absolutista. Muito menos de expressão, já que os jornais são calados, assim como os artistas de um modo geral. Não sabem ainda que o totalitarismo sempre promove violência, medo e atraso em todos os níveis. Desconhece, esse povinho, que uma ditadura é o revés do progresso, seja ele social, moral, cultural e tal. Também a economia tende a amargar rejeição por parte de investidores estrangeiros. Logo, o que se espera de um governo desses é a derrocada que conduz uma nação à condição de mero exportador de commodities, uma nação basicamente agrícola, como foi este rico e empobrecido país em passado remoto. Isso é o que promove, em qualquer canto, um governo totalitário. Quem, enfim, não conhece a história das ditaduras na América do Sul? História de dor que manchou para sempre a reputação de muitos países. Inclusive este, sobre o qual paira agora uma democracia.

Contudo, mesmo que se viva aqui essa democracia, não se pode desdenhar do desejo compulsivo do candidato a caudilho de tomar o poder à força e perpetuá-lo. Este é, pois sim, o sonho do bufão em momentos de intenso devaneio. Perigo maior ainda é a massa que se dobra perante ele. Esta que, por lhe ter afinidade e apreciar sobremaneira a violência que sai de sua boca, é capaz de cometer desatinos em nome de uma religião que a levou ao fanatismo. Refiro-me à religião do ódio, que pode tomar de assalto esta sociedade enfraquecida, caso o próximo pleito resulte em derrota para o bufão.

E o rufar dos tambores já marca compasso nos ouvidos afoitos daquele que ama marchar ao som de banda marcial, que adora ser fotografado empunhando arma, que troca sempre o sorriso pela cara de mau em qualquer retrato. Curioso, então, me ponho a pensar acerca da presença de neurônios em cérebro tão miúdo. Difícil crer na sua existência, afinal.

Ao contrário deles, no entanto, há uma parcela da população que acalenta um sonho: o de viver um novo tempo, tempo em que os noticiários não derramem violência nas telas, em que o dinheiro suado do trabalhador não vá parar, aos borbotões, nos bolsos de quem faz o orçamento; tempo em que a grande floresta não seja derrubada e que seus rios não sejam envenenados; tempo em que este país volte a ser visto como uma grande nação, mundo afora. E isso, todos sabem, é possível.

PROF.RODOLFO DE SOUZA

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