E A LUTA CONTINUA

Uma parcela da população desta imensa pátria, metade dela talvez, demonstrou muito empenho, noutro dia, na busca por um antídoto que pudesse livrar do veneno que se espalhou em suas veias a democracia. É por causa do envenenamento que sua saúde frágil vem minguando, afinal. O pleito recente, que teve lugar em todo o território deste imenso rincão, serviu como uma tentativa de salvá-la, tendo em vista o risco de morte que corre. Essa gente se utilizou, pois, de um remédio, de eficácia incontestável, para que seu bem-estar fosse rapidamente restabelecido. Havia, inclusive, muita expectativa a pulsar no peito desse povo, que vislumbrava a saída do leito hospitalar daquela que deveria reinar saudável em toda pátria, em todo o mundo.

Descobriu-se, por fim, que a quantidade de remédio ministrado não fora suficiente para curar de pronto a democracia, livrando-a definitivamente do leito de morte. Isso porque, outra parte da população não concordava com o tipo de droga prescrita na receita, fazendo, por sua conta e risco, o uso de outra. É preciso que se saiba que democracia é assim: uns pendem para cá, outros para lá. A isso damos o nome de liberdade. Mas é necessário também estar atento para a promessa de um tipo de liberdade que a parte da população, pouco ou nada esclarecida, engole e digere, pensando ter se fartado de rica iguaria. Entretanto, não têm noção, os comensais, que se a morte vencer e a democracia perecer, com ela perecerá também a liberdade.

Mas é possível que a reflexão aqui proposta tenha um nível de complexidade bem acima da compreensão das pessoas de parco saber, que não têm lá muito apreço pela democracia, e, portanto, não se importam com o seu fim. Mesmo porque, é gente afinada com ideais golpistas, que não sabe o que exatamente representa viver sob o jugo do absolutismo. Penso até na necessidade de se desenvolver um estudo detalhado acerca desse fenômeno que chega a tirar o sono de quem ainda faz uso do pensamento como ferramenta de evolução humana.

No caminhar apressado das horas e dos dias, percebemos que o engatinhar do século XXI já vai longe, e preocupa perceber o número de pessoas que têm como meta alcançar as trevas que martirizaram as civilizações na idade média. E esse povo de agora tem como objetivo se lançar de cabeça no obscurantismo, que tanto lhe causa admiração. Estranhamente ele foge da luz. Talvez ofusque o seu olhar sempre voltado para o feio, para o nefasto, para o mau gosto. Ora, mas não deveria a humanidade andar para frente? – perguntará o leitor insatisfeito com o que vê. Por que se ocupa, então, do retrocesso?

De fato é difícil entender uma mente tão sórdida. Seria preciso desaprender um bocado para compreendê-la ou, pelo menos, se identificar com ela. É certo que nem em experimento científico alguém de inteligência refinada se lançaria a tão perigosa aventura.

De qualquer forma, fica a certeza de que vivemos uma situação inusitada, que nos apresenta um país dividido, como jamais ocorrera em toda a sua história.

PROF.RODOLFO DE SOUZA

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