DE VOLTA À VIDA

Lembro-me de que, ao final das eleições de 2018, escrevi uma crônica que derramava, aqui neste espaço, toda a minha amargura por me saber integrante da massa que acabava de colocar no poder a representação do mal. Não que eu tenha sido eleitor da coisa. Refiro-me ao fato de ser tão brasileiro quanto aqueles que digitaram o número nefasto na urna. O número que fez este imenso país caminhar na contramão do bom senso por quatro longos anos.

Hoje, contudo, volto a deitar a pena nesta atraente folha digital para nela derramar toda a minha esperança de um Brasil melhor, mais justo e livre das mazelas que botaram abaixo sua economia, sua saúde, educação, cultura, meio ambiente, prestígio internacional… Enfim, uma relação de prejuízos que certamente tomaria páginas e páginas como esta, caso eu decidisse enumerá-las. Entretanto, para citar superficialmente o flagelo que assolou esta nação, dou somente uma pincelada no que talvez represente o que há de mais grave, consequência dos atos insanos de quem é avesso ao progresso, mas que carrega o cetro.  

Não será fácil, todos sabemos, mas a perspectiva de reconstrução do país agora paira sobre metade desta população, enchendo de expectativa seus corações aliviados.   Neste momento em que tudo de mais sórdido tende a se refugiar num canto qualquer, receoso de ser atropelado pelo amor, é que sentimos ventilar novamente os pulmões. Oxigênio vital renovando a vida de quem acredita que um novo Brasil possa, enfim, ressurgir das cinzas.

Claro que nem todos partilham do mesmo afã por uma vida melhor. Há pessoas, por exemplo, cuja afinidade com o pensamento vil, tapou seus olhos, impedindo-as de enxergarem com clareza tudo o que lhes vai à frente. É gente que se vê representada pela truculência e pela intolerância na conjuntura social que se instaurou assim, num piscar de olhos, cá nesta pátria de meu Deus. Ou que talvez já existisse, e aguardava um líder que lhe concedesse poder. Há mesmo uma tendência mundial que aponta nessa direção, dizem os analistas. É chamado, o fenômeno, de conservadorismo. É o poder de alguns sobre uma massa de parco saber, que se torna presa fácil de suas palavras e condutas. Reverbera, pois, aqui e ali a voz da insensatez que agrega no seu entorno uma legião de seguidores, cegos pelo fanatismo. E isso não é exclusividade nacional.

De qualquer forma, é preciso considerar a possibilidade de se repensar a brasilidade, uma vez que continuamos todos a dividir este solo e este ar. Somos, portanto, irmãos no idioma que falamos e na cultura que vivemos, razões mais do que suficientes para rompermos a barreira que nos divide em dois lados. Até porque, trata-se somente de um, o da imensa população tupinambá. Lembrando que prefiro tupinambá a tupiniquim, que soa meio pejorativo. De qualquer forma, falo de uma gente alegre, cheia de musicalidade, vivendo num país de projeção mundial nas artes, na medicina, na ciência… É momento, pois, de esquecermos o ódio que consome as entranhas do ser humano. Sentimento, aliás, que agora se vai, devagarinho, e logo se transformará numa mancha desbotada no horizonte distante.

PROF.RODOLFO DE SOUZA

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