QUERIDO SÍMBOLO DA TERRA

Passo horas pensando, porque, afinal, cabe à mente inquieta pensar. Vários são os fatores que aguçam ainda mais a sua inquietação, diga-se de passagem, sobretudo, em momento tão crucial para esta gigantesca terra de meu Deus. Nação que um dia recebeu de presente uma flâmula verde e amarela que haveria de representá-la em qualquer canto do mundo.

E de fato ela tem sido reconhecida como o símbolo máximo deste rincão que ainda segue na rabeira do desenvolvimento. De qualquer forma, ela é a sua cara ou a cara de sua gente, que sempre esbanjou orgulho dela quando das conquistas no futebol, no vôlei, na fórmula I… Destaque para o fato de ter brilhado na mão de Airton Senna a cada vitória.

Em tempos de copa do mundo, então, para todo o lado em que se olhe lá está ela, a tremular. Apesar da nítida impressão de que vem esfriando o furor pelo certame. Seu verde, cada vez mais cinza e o seu amarelo, agora meio pálido parecem contrastar com o amarelo berrante da camisa do escrete nacional que, além dos gramados, foi parar na frente dos quartéis.

É preciso admitir que houve sim um desgaste na imagem do pavilhão nacional. Parece que ele perdeu um pouco daquela exuberância de antigamente. Refiro-me, claro, aos últimos anos em que este encontrou o ápice do desprestígio, perambulando, aqui e ali, nos ombros de gente que faz uso dele como uma espécie de adereço relacionado a uma ideologia de cunho nada democrático. Pobre bandeira, usada sem pudor pelo ser humano enquanto este marcha e entoa hinos marciais, sem ter a menor ideia do que faz. Desconhece, essa gente de parco saber, que o pavilhão nacional representa a democracia, que torna soberano um país.

Mas essas pessoas não deixam o seu movimento que, segundo elas, segue firme em prol da liberdade. A que liberdade se referem, não saberiam dizer, caso fossem indagadas. Suspeito, aliás, de que a continuidade do barraco é estimulado por alguém que explora largamente a beatitude doentia desse povo. É a falta de escrúpulos de uma minoria abastada que lhes providencia mesa farta, debaixo de tendas caras, e também coloca à sua disposição banheiros químicos. Todos unisex! Quem diria?! Conforto doado de coração por gente graúda que jamais teve o mesmo gesto para com os necessitados de verdade.

E esse povo todo que se aglomera, orando, chorando e babando diante do altar do autoritarismo, não sabe que está sendo usado por forças ocultas, desejosas de um poder perene que continue a lhes render bilhões, mesmo que à custa da miséria humana que já ganhou projeção internacional.

 Eleições limpas elegeram um novo presidente, mas o povinho que escolheu o outro não aceita o resultado. Por isso, resolveu se insurgir e partir para as ruas a fim de pedir aos milicos que se intrometam e salvem a pátria. Não sabem exatamente de que salvamento necessita o país. Até porque, ele já se encontra em vias de se salvar.

E a nossa bandeira, que ainda continua hasteada nos ombros daqueles, anseia por voltar ao seu mastro e representar os anseios de toda uma nação, não de parte dela.

PROF.RODOLFO DE SOUZA

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