Lido com a juventude, porque faz parte do meu trabalho lidar com ela. E, por conviver com essa alegria esfuziante e disfarçada ao meu redor, no seio familiar e por toda a parte, é que percebo, com alguma apreensão inclusive, que estamos diante de um povo que se fez adolescente, atingiu a maioridade, se deslumbrou e se assustou com os novos tempos. Atemorizou-se quando abriu a porta do lar e deu com um mundo que não correspondia bem aos seus anseios de criança mimada. Continue lendo “PAIS E FILHOS”
É SEMPRE BOM VER TELEVISÃO
A televisão tem sido, há décadas, aparelho indispensável nas casas deste meu rico e idolatrado morro, em cujo barracão a gente alegre e distraída samba toda a sua angústia ano inteiro, a vida toda, aliviado só por se imaginar personalidade do meio artístico, seja passista, mestre-sala ou porta-bandeira. O sonho da pessoa humilde diante da TV. Continue lendo “É SEMPRE BOM VER TELEVISÃO”
A VERDADEIRA CARA DO MEU PAÍS
Presenciei, há pouco, cena que tem se tornado cada vez mais comum no cotidiano desta terra de ninguém. Refiro-me à violência, logicamente. Violência aqui disseminada e diversificada, assumindo, pois, vários aspectos, todos largamente apreciados pela parcela da sociedade, responsável pelos desmandos que ora assistimos. Continue lendo “A VERDADEIRA CARA DO MEU PAÍS”
A MENINA E O CACHORRINHO
Precisava pensar numa crônica bem bonitinha para a minha coluna. Um texto que falasse somente de coisas boas como o sol da manhã de inverno que vem para aquecer a Terra, fustigada pelo frio da noite. Um texto em que o feio e o grotesco não encontrassem espaço para se expressar. Somente isso! Continue lendo “A MENINA E O CACHORRINHO”
TODO DIA É DIA DE CARNAVAL
Duvido que haja, neste mundo, povo mais irreverente e propenso ao deboche do que este que habita, feliz, esta vasta planície Tupinambá. Continue lendo “TODO DIA É DIA DE CARNAVAL”
RETRATO DE ARMAZÉM
Vi, noutro dia, uma cena que tocou-me como duvido que tocaria qualquer outra pessoa. Assim, com a mesma intensidade. Não, não se trata de guerra, desabamento de prédio ou mar de lama. Somente três pessoas que compunham o quadro que me pareceu até fotografado em preto e branco. Coisa antiga, sabe? Talvez pelo elemento de singeleza, nada comprometido com a modernidade e com a realidade dos fatos, é que minha mente a viu assim, destituída de envolvimento com o mundo. Nem percebi, aliás, o quanto da sua essência é possível que haja na vida, ao redor de todos nós. Continue lendo “RETRATO DE ARMAZÉM”
OLHAR VAZIO PARA A NATUREZA MORTA
Sem que me desse conta, fui apanhado de surpresa pela imagem do índio olhando para o rio. A cena, muito intensa, conduziu-me aos velhos livros de História que nos levavam sempre a associar índio à natureza. E isso não se perdeu no tempo. Antes, permanece vivo na memória, como um canto ou uma dança na tribo. Não havia, pois, nada de tão surpreendente naquela foto, pois se tratava de uma foto o que me chagava aos olhos e fazia retumbar no meu peito o coração aflito por uma explicação. Continue lendo “OLHAR VAZIO PARA A NATUREZA MORTA”
O TEMPO ANDA QUENTE
O tempo ainda está quente. Embora a temperatura esteja mais amena, o calor dos trópicos ainda se faz sentir no coro do brasileiro. Bem própria de como deve ser no outono, contudo, a temperatura segue bem comportada e não promete grandes surpresas tórridas. Continue lendo “O TEMPO ANDA QUENTE”
O POVO ESCREVE
O povo escreve para o ex-presidente. Alguns, pelas mãos de outros, porque não descobriram ainda o segredo da palavra escrita, com todo o seu fascínio. Mas eles sabem. Embora não dominem a formação de sílabas que constroem palavras, eles entendem muito bem o que se passa, simplesmente porque sua natureza humana lhes concedeu o pensamento, como bênção ou como castigo, não sei bem. Mas é o que lhes basta, segundo sua maneira rude de ver as coisas e discernir sobre o seu significado. Continue lendo “O POVO ESCREVE”
O HOMEM E A ARTE DE GUERREAR
O homem gosta de fazer guerra. Guerra para tomar o que é do outro. Guerra vã que concede poder momentâneo e sofrimento infindável. Dor para o oprimido e dor para o opressor que não vence, senão por meio de muita luta que requer perda material e de vidas que se vão sem sequer desfrutar do bem espoliado. E daí? Fica para o companheiro vivo o deite, fazer o quê? É, afinal, daquele que permanece de pé, a glória de usufruir da riqueza alheia. E de fato a impressão de ter ganhado alguma coisa fica para o que, além de vivo, conserva pernas, braços e olhos que podem testemunhar o retorno à vida. E, apesar de lá no fundo saber que jamais tocará de verdade no produto do roubo, resta como consolo ao sobrevivente que visitou o inferno em troca de nada, o prêmio de ter escapado dele. Continue lendo “O HOMEM E A ARTE DE GUERREAR”