SAUDOSA MALOCA

Adoniram que me perdoe, mas não poderia haver título mais pertinente para esta crônica, uma vez que a inspiração que me bateu e permitiu a sua existência neste espaço, nasceu a partir do drama de uma família que, como tantas outras, tinha como teto a grossa laje de um viaduto, a princípio, projetado exclusivamente para sustentar o ir e vir de veículos, mas que, com o tempo, passou a servir também de abrigo. As circunstâncias, pouco favoráveis a uma grande parcela da população, fizeram daquele pedaço gigante de concreto e ferro a sua moradia. Fazer o quê? Continue lendo “SAUDOSA MALOCA”

CALA A BOCA, COMPANHEIRO

E novamente um grupo de parlamentares, ao que tudo indica ocupadíssimo, surge para proclamar e colocar em votação o projeto de lei, no mínimo vergonhoso, “escola sem partido” que visa, tão somente, calar a boca do professor. Não se sinta intimidado, amigo leitor, caso seja também um malabarista das salas de aula. Mas fato é que não se discutirá política na escola, segundo preconiza o famigerado projeto. Tampouco se falará de gêneros e demais assuntos pertinentes a este mundo de modernidades. Andaremos, pois, de marcha-ré ou na contramão dos novos tempos. E o educador, nesse plano diabólico, é sujeito visado por ser o profissional que lida com crianças e adolescentes, apto, portanto, a delinear mentes ainda muito jovens, passíveis de ganhar um formato novo, mais complexo, com olhar perscrutador e um tanto perceptivo das coisas do mundo. Sonho bom este de moldar essas mentes, que o professor acalenta, embora frequentemente se frustre e acorde cheio de desejo de partir para outra profissão, motivado pela resistência ao aprendizado que normalmente oferecem as novas gerações, pouco afeitas ao livro didático. Continue lendo “CALA A BOCA, COMPANHEIRO”

ARMADO ATÉ OS DENTES

Há uma foto na internet que muito me chamou a atenção esta semana. São muitas as fotos que me chamam a atenção na internet, diga-se de passagem. Mas talvez tenha sido pego nesta pelo inusitado da imagem, afinal, há nela um elemento qualquer meio nostálgico, meio poético, e trágico ao mesmo tempo. É possível até que um pintor do século XIX a tivesse retratado com mais propriedade do que o fotógrafo que lá esteve, arriscando o próprio coro. Satisfazendo a sua curiosidade, amigo, a fotografia, objeto de inspiração desta crônica, escarra, sem piedade, em nossa face toda a miséria humana a que estamos submetidos eu e você, dia a dia. Continue lendo “ARMADO ATÉ OS DENTES”

ÁLBUM DE FIGURINHAS

Ultimamente tenho notado a molecada, para lá e para cá, com o álbum da copa debaixo do braço.  Ao que parece, deixaram de lado a obsessão pela tela digital para se envolver um pouco com o mágico pedacinho de papel que muito fascínio tem despertado nos meninos e nas meninas. O adulto, aliás, não ficou de fora dessa mania e, se passou dos quarenta, talvez ainda se sinta meio nostálgico com a brincadeira. Continue lendo “ÁLBUM DE FIGURINHAS”

A BUZINA E SUAS FUNÇÕES

Todo indivíduo, ao tirar sua habilitação, aprende que a buzina é equipamento instalado no veículo com a finalidade de alertar alguém de sua presença no pedaço. Seja este, condutor de outro veículo ou pedestre distraído que, nos dias de hoje, tem toda a sua atenção voltada para a tela do celular, esquecendo-se de que automóveis existem e de que as ruas foram concebidas exclusivamente para eles. Continue lendo “A BUZINA E SUAS FUNÇÕES”

O CANDIDATO

O partido, em convenção marcada por muito bate-boca, por fim escolheu o seu candidato. Mas o candidato tem ficha suja, o que significa na prática, que se envolveu, vez ou outra, com a apropriação indébita de valores que o suor do rosto de quem trabalha depositou nos cofres públicos. Muito natural no meio, razão pela qual o partido não sentiu o menor constrangimento em optar pelo seu nome, até porque, apesar de notório integrante da extensa família que criou a cultura do ganho fácil, ele possui também a cara de pau mais lavada e, portanto, passível de receber mais votos do que o concorrente, sobretudo, pela sua conversa fiada que tende a levar o povão a depositar nele confiança cega. Decisão, tudo indica, acertada do partido de direita, ou de esquerda, de centro, de cima do muro, sabe-se lá… Pouco importa. Continue lendo “O CANDIDATO”

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