AS CRÔNICAS DE ANTIGAMENTE

Já não se escreve crônicas como antigamente. Os especialistas em literatura, a quem compete tecer comentários a respeito de assuntos literários, dizem que o jeito de escrevê-las é que mudou. Está um tanto atualizado, com a cara deste mundo em que vivemos. Nesse aspecto, penso até que têm razão. Entretanto, olhando a coisa do ponto de vista de quem é apreciador de um texto bem elaborado, em que o autor se serve da farta mesa de recursos linguísticos da qual é dono este nosso rico idioma, chego a duvidar do bom gosto deste novo modernismo. Continue lendo “AS CRÔNICAS DE ANTIGAMENTE”

DE OLHO NO MUNDO

Era uma vez uma câmera, feliz por ter sido instalada pelas mãos hábeis do profissional humano que também lhe dera vida ao ligá-la na tomada. Momento memorável em que deixou o conforto de sua embalagem para ganhar o mundo e descobrir atônita o seu fascínio. É certo que na sua visão de câmera todo esse mundo se resumia àquele ponto alto de uma parede onde fora colocada, mais a distância que seu olho de vidro conseguia alcançar. Mas era excitante! De seu posto podia ver a luz do sol e até sentir o vento. Pois sim, alguém se lembrara de colocar sensação tátil em sua pele metálica! Gente boa! Só não compreendia o porquê das pessoas se protegerem da chuva, tão curiosa e agradável precipitação pluviométrica. Gostava, aliás, desse nome. Talvez até gostasse mais do que de chuva. Continue lendo “DE OLHO NO MUNDO”

CONVERSA NO METRÔ

Estava no metrô um dia destes quando presenciei uma cena que me despertou a atenção pela sensibilidade como foi conduzida. Afinal, são poucos nesta vida que se dão conta da importância deste mecanismo do qual somos dotados, eu e você. Motivo que também me faz olhar para o ser humano em suas várias facetas, sempre que busco suprir-me de inspiração para produzir um texto como este sobre o qual me debruço agora. Continue lendo “CONVERSA NO METRÔ”

COMO NOSSOS PAIS

No meu tempo, quando papai dirigia a um filho o olhar arregalado e inquisidor, este se punha logo a refletir, cheio de medo, acerca do seu comportamento de segundos antes. Começava ali o martírio do santo, que consistia em descobrir qual fora a gafe cometida, até porque nem sempre compreendia com exatidão o equívoco, o crime inafiançável que servira para enfurecer o velho. Mesmo assim, era preciso tentar se livrar da saia justa em que se metera, ainda que não soubesse como. E tudo isso com muito cuidado para que a visita não percebesse, claro. Visita, aliás, era o que não faltava, razão pela qual o pai só olhava, porque, do contrário, tirava rápido o chinelo e o estalava no lombo do incauto, o distraído que normalmente desconhecia em que momento da história praticara o delito, a falta que o conduzira aos rigores da chibata. Continue lendo “COMO NOSSOS PAIS”

ARBORIZAR ENQUANTO HÁ MUDAS

A conversa que não deixa a pauta das discussões e está na boca do povo e dos meios jornalísticos nesta segunda década do século vigente é, por certo, a escassez de água que começa a apertar o calo dessa população. Sobretudo, da soberba família paulista que, todos imaginavam, fosse influente o bastante para convencer São Pedro de que o país, tendo seca suficiente numa determinada região sua, não necessitava de mais esta presepada. Mas o santo, conhecedor que é dos costumes nacionais e da política brasileira, parece não ter se sensibilizado muito com a causa. Teria dito, afinal, que já passa da hora de se parar com a gastança e dos governantes tomarem vergonha na cara. A população até que vem fazendo a sua parte, mas está convencida também de que vergonha na cara é produto mais do que escasso neste momento de escassez. Continue lendo “ARBORIZAR ENQUANTO HÁ MUDAS”

A REVOLUÇÃO DAS CADEIRAS

E aconteceu que os ataques terroristas a Paris perderam aqui, em pátria tupinambá, o caro espaço televisivo para o desastre ambiental que teve origem lá em Minas e alcançou o mar que Minas não tem. Até o famigerado presidente da casa, por algum tempo, andou meio esquecido diante de tanta tragédia. Não que a política brasileira não se configure, assim, desastre de igual monta e não mereça seu lugar de honra nos telejornais. Entretanto, cansou e o rico patrocinador já pensa até em fechar a mão e parar com o patrocínio por considerar o assunto por demais exaustivo e já um tanto distante do interesse popular. Continue lendo “A REVOLUÇÃO DAS CADEIRAS”

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