Já não se escreve crônicas como antigamente. Os especialistas em literatura, a quem compete tecer comentários a respeito de assuntos literários, dizem que o jeito de escrevê-las é que mudou. Está um tanto atualizado, com a cara deste mundo em que vivemos. Nesse aspecto, penso até que têm razão. Entretanto, olhando a coisa do ponto de vista de quem é apreciador de um texto bem elaborado, em que o autor se serve da farta mesa de recursos linguísticos da qual é dono este nosso rico idioma, chego a duvidar do bom gosto deste novo modernismo. Continue lendo “AS CRÔNICAS DE ANTIGAMENTE”
ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE A EDUCAÇÃO
São pessoas ainda jovens que começam o dia se preparando para mais um período dedicado à busca árdua pelo conhecimento. E o local escolhido para tão nobre anseio não é outro senão a escola, templo sagrado erigido inicialmente para o culto à aprendizagem. Continue lendo “ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE A EDUCAÇÃO”
DE OLHO NO MUNDO
Era uma vez uma câmera, feliz por ter sido instalada pelas mãos hábeis do profissional humano que também lhe dera vida ao ligá-la na tomada. Momento memorável em que deixou o conforto de sua embalagem para ganhar o mundo e descobrir atônita o seu fascínio. É certo que na sua visão de câmera todo esse mundo se resumia àquele ponto alto de uma parede onde fora colocada, mais a distância que seu olho de vidro conseguia alcançar. Mas era excitante! De seu posto podia ver a luz do sol e até sentir o vento. Pois sim, alguém se lembrara de colocar sensação tátil em sua pele metálica! Gente boa! Só não compreendia o porquê das pessoas se protegerem da chuva, tão curiosa e agradável precipitação pluviométrica. Gostava, aliás, desse nome. Talvez até gostasse mais do que de chuva. Continue lendo “DE OLHO NO MUNDO”
DE OLHO NA PALAVRA
É hábito meu pensar. Logicamente que todo ser humano dotado de uma quantidade mínima de neurônios, também deve perder-se em volúpias cerebrais, de vez em quando. Continue lendo “DE OLHO NA PALAVRA”
CRÔNICA ECOLÓGICA
Meu quintal já foi dono de quatro goiabeiras. Uma deitou ao chão para dar lugar à lavanderia, a outra para que pudéssemos construir aquele quartinho indispensável, reservado para guardar todo tipo de material e quinquilharias. Continue lendo “CRÔNICA ECOLÓGICA”
CONVERSA NO METRÔ
Estava no metrô um dia destes quando presenciei uma cena que me despertou a atenção pela sensibilidade como foi conduzida. Afinal, são poucos nesta vida que se dão conta da importância deste mecanismo do qual somos dotados, eu e você. Motivo que também me faz olhar para o ser humano em suas várias facetas, sempre que busco suprir-me de inspiração para produzir um texto como este sobre o qual me debruço agora. Continue lendo “CONVERSA NO METRÔ”
COMO NOSSOS PAIS
No meu tempo, quando papai dirigia a um filho o olhar arregalado e inquisidor, este se punha logo a refletir, cheio de medo, acerca do seu comportamento de segundos antes. Começava ali o martírio do santo, que consistia em descobrir qual fora a gafe cometida, até porque nem sempre compreendia com exatidão o equívoco, o crime inafiançável que servira para enfurecer o velho. Mesmo assim, era preciso tentar se livrar da saia justa em que se metera, ainda que não soubesse como. E tudo isso com muito cuidado para que a visita não percebesse, claro. Visita, aliás, era o que não faltava, razão pela qual o pai só olhava, porque, do contrário, tirava rápido o chinelo e o estalava no lombo do incauto, o distraído que normalmente desconhecia em que momento da história praticara o delito, a falta que o conduzira aos rigores da chibata. Continue lendo “COMO NOSSOS PAIS”
ARBORIZAR ENQUANTO HÁ MUDAS
A conversa que não deixa a pauta das discussões e está na boca do povo e dos meios jornalísticos nesta segunda década do século vigente é, por certo, a escassez de água que começa a apertar o calo dessa população. Sobretudo, da soberba família paulista que, todos imaginavam, fosse influente o bastante para convencer São Pedro de que o país, tendo seca suficiente numa determinada região sua, não necessitava de mais esta presepada. Mas o santo, conhecedor que é dos costumes nacionais e da política brasileira, parece não ter se sensibilizado muito com a causa. Teria dito, afinal, que já passa da hora de se parar com a gastança e dos governantes tomarem vergonha na cara. A população até que vem fazendo a sua parte, mas está convencida também de que vergonha na cara é produto mais do que escasso neste momento de escassez. Continue lendo “ARBORIZAR ENQUANTO HÁ MUDAS”
A REVOLUÇÃO DAS CADEIRAS
E aconteceu que os ataques terroristas a Paris perderam aqui, em pátria tupinambá, o caro espaço televisivo para o desastre ambiental que teve origem lá em Minas e alcançou o mar que Minas não tem. Até o famigerado presidente da casa, por algum tempo, andou meio esquecido diante de tanta tragédia. Não que a política brasileira não se configure, assim, desastre de igual monta e não mereça seu lugar de honra nos telejornais. Entretanto, cansou e o rico patrocinador já pensa até em fechar a mão e parar com o patrocínio por considerar o assunto por demais exaustivo e já um tanto distante do interesse popular. Continue lendo “A REVOLUÇÃO DAS CADEIRAS”
A QUESTÃO HUMANA
Não tenho a pretensão de entender o insólito, o inexplicável, o improvável. Inquieta-me, contudo, a questão humana que dispõe somente de um fio tênue como sustentáculo na perigosa gravidade deste plano. Continue lendo “A QUESTÃO HUMANA”