Confraternização é o termo que melhor se aplica ao sentimento que predominou nos momentos que precederam e que culminaram com a expiração de papai. Que Deus o tenha! Continue lendo “CONFRATERNIZAÇÃO, POR QUE NÃO?”
UM BIGODE PARA SEMPRE! (Homenagem a meu velho pai)
O homem está inerte. Seu peito se move por causa da máquina que o impele a mover-se. Na verdade, o ventilador respira o homem que ali se encontra prostrado. Seu rosto inchou e as tiras o deformaram. Continue lendo “UM BIGODE PARA SEMPRE! (Homenagem a meu velho pai)”
SER NADA SOCIAL
É manhã e, preso no engarrafamento, um homem, morador de rua que vem pelo passeio, me chama a atenção. Leva-me, o sujeito, a fazer algumas considerações e conjecturas a respeito da vida de quem, como eu, corre atrás do sucesso. Sucesso no trabalho, consequente garantia de dinheiro maior; sucesso no amor, certeza de cama melhor; sucesso na vida social, sinônimo de bajulação. É preciso, pois, que resulte em sucesso, qualquer coisa em que se bote a mão. Muito natural! Continue lendo “SER NADA SOCIAL”
SOMBRAS NA NOITE
O rapaz de pouco mais de vinte anos, trabalhava no setor de frutas do mercado. Dedicado, procurava manter abastecidas as bancas para que a freguesa pudesse escolher, em meio à grande variedade, sempre produtos fresquinhos. Cuidava de tudo como se aquilo fosse seu e preocupava-se em nunca deixar nada podre ou passado, só mercadoria boa. Dizia que era preciso estar de olho. Ganhou, inclusive, a simpatia da dona de casa que escolhia comprar ali justamente por causa da dedicação do profissional. Orgulhoso, tocava sua função com seriedade para que tudo corresse bem naquele que era o seu espaço, o local que ele comandava com carinho. Formação acadêmica não tinha, tampouco chegara a esquentar um banco escolar. Sua parca leitura fazia dele homem de personalidade até rude, embora boa praça. Continue lendo “SOMBRAS NA NOITE”
O CERNE DA PREGUIÇA
Há mesmo muito de preocupante nesta sombria atualidade, cotidiano de quem pula cedo para o pão batalhar. Uma única olhadinha no jornal é suficiente para se perder a paz com notícias e mais notícias que fomentam o desânimo. À nossa volta também é possível perceber movimentos estranhos e olhar de soslaio de quem desconfia até da própria sombra. Por toda parte, a violência, de tocaia, espreita e aguarda o que vem distraído e que, sem dúvida, passará bem perto da sua enorme garganta. É o crime em todas as suas facetas, roubando das pessoas o direito à vida, à dignidade. Com arma, sem arma, com gravata, de avental branco… De roupagens e métodos variados se reveste, enfim, a brutalidade neste país de faz de conta. O povo, coitado, já não a enxerga mais. De tão comum, o coisa ruim ficou invisível. Talvez por isso o conformismo já tenha se tornado, tal qual samba e futebol, parte da cultura dessa gente que tudo que sabe é que a situação vai mal. Continue lendo “O CERNE DA PREGUIÇA”
TERRA FESTEIRA
Era uma vez uma terra encantada onde havia um povo que muito se entregava ao labor, embora também muito festejasse. Havia festa para dar e vender. Tudo era motivo para celebrar. Fosse com churrasco na laje ou com caviar na mansão, as pessoas adoravam festejar. Continue lendo “TERRA FESTEIRA”
BREVE REFLEXÃO SOBRE… O QUE QUISER
Época boa, aquela das festas de fim de ano, momento ideal para se lavar a alma das sujeiras e do azar que devem ficar para trás. Mais oportuno ainda, nestes dias, é exercitar a mente e refletir um pouco. Isso mesmo, refletir, pensar a fundo acerca de algo. Neste caso, o fio tênue que dá sustentação à vida do ser aqui nesta terra de celebrações, é justamente o ponto crucial que tem desviado o meu pensamento de qualquer outro tema. Andei mesmo cheio de divagações sobre o súbito, o repentino ato de morrer. Continue lendo “BREVE REFLEXÃO SOBRE… O QUE QUISER”
A ASSUSTADORA PASSAGEM DO TEMPO
Minha prima resolveu dar uma festa para comemorar seu aniversário e convidou-me, feliz, para a celebração. Prima que eu vi nascer! Logicamente que “vi nascer” é força de expressão antiga de que me faço valer, aqui neste espaço, e que muito me auxilia quando pretendo reforçar a ideia do tempo transcorrido desde que fiquei sabendo de seu nascimento. Diga-se de passagem, nem idade eu tinha para discernir acerca do evento. De qualquer forma, assustei-me ao ouvi-la dizer que comemorará cinquenta primaveras. E como isso tem causado incômodo neste peito cansado! Tem me espantado de verdade. Espanto, termo que, aliás, melhor se encaixa neste contexto, uma vez que tenho pensado com seriedade sobre o assunto todas as vezes em que, numa roda de bate-papo, a conversa gira em torno da idade madura de parentes próximos, garotada que conheci bebê. Difícil, então, conceber coroa a menina que eu me habituei a enxergar menina. Continue lendo “A ASSUSTADORA PASSAGEM DO TEMPO”
SEM ÁGUA NÃO DÁ
Não chove. Somente uns poucos pingos que a misericórdia divina lança cá para baixo com o conta-gotas. E então o tempo fica assim, seco de verdade, tal qual clima de deserto. O que será de nós, pobres seres feitos de água, sem água?! O governador, detentor de todo o poder a ele conferido pelo voto, prometeu que vai mandar chover. Só não sabe se São Pedro lhe dará ouvidos. Isso porque tem consciência, embora não admita, de que o santo não é brasileiro e, por conseguinte, inoculado contra o mal da conversa fiada. Tampouco lhe apraz, justo que é, propina de qualquer monta. E, no andar da carruagem, político ou padre, não há quem convença o intercessor que anda irredutível e promete não amolecer nem mesmo em nome de sua amizade com São Paulo. Continue lendo “SEM ÁGUA NÃO DÁ”
SOSSEGO DE VIDA
Sossego tem sido objeto de desejo nos últimos tempos, sobretudo quando o indivíduo bate a casa dos cinquenta. Continue lendo “SOSSEGO DE VIDA”