ODE À INSANIDADE

Gostaria de ter participado com afinco do projeto genoma, e com ele ter aprendido uma técnica de decodificação do cromossomo da insanidade, com o único intuito de produzir um antídoto. E se não o encontrasse, tentaria um método de tornar louco aquele que tem o equilíbrio emocional como característica primeira de sua irritante personalidade. É… Talvez fosse melhor. Continue lendo “ODE À INSANIDADE”

PSEUDO PODER

O corpo do menino eles encontraram no rio, quilômetros adiante. Foi levado pela correnteza. Até aí, nada de mais. A força da água tem mesmo essa mania de arrastar coisas e gente. Mas o que terá arrastado a criança para o rio é a questão crucial. Certamente as mãos fortes de um ser humano a quem fora dada a oportunidade de alcançar a vida adulta, condição primeira para dicernir e realizar. Continue lendo “PSEUDO PODER”

BOAS FESTAS!

Um tanto comum nesta época é a carinha de espanto das pessoas ao constatarem que tudo passou muito rápido. É… O ano mais uma vez chega ao fim e já é possível notar a presença do outro logo ali adiante, no horizonte do tempo! E mesmo ciente de que o período é composto de doze meses com trinta dias cada, esse povo insiste na perplexidade quando é chegado o desfecho, como se acreditasse num fenômeno misterioso responsável por empurrar as horas que, como se sabe, permanecem com seu caminhar sempre igual, no mesmo ritmo. Além do mais, convenhamos, se o ano tivesse vinte e quatro meses, ainda assim ouviríamos de uns e de outros, ao final, a mesma canção que nunca sai das paradas. Continue lendo “BOAS FESTAS!”

MORADOR DE RUA

Parado no interminável congestionamento, eu observo. O homem no passeio acaba de acordar, ou antes, parece dormir sentado. Seu rosto é redondo, tudo indica, por causa do inchaço oriundo do excessivo consumo de cachaça que tanto ajuda a suportar a miséria. Anestesiado, fica mais fácil acostumar-se ao lixo ou a qualquer tipo de degradação, constato sem muita surpresa. Continue lendo “MORADOR DE RUA”

BRINCADEIRA DE CRIANÇA

A molecada se diverte no seu dia. Aliás, a molecada se diverte em qualquer dia. Há um fogo dentro de cada um que os impele à corrida, ao tombo, ao empurrão e a toda sorte de movimentos bruscos que faz brotar galos, esfolados, lágrimas e esquecimento. Há um ímpeto descontrolado que é obstáculo quando o assunto é somar aprendizagem, riqueza normalmente oferecida pela escola que os pimpolhos têm a obrigação de frequentar, e repudiam. Mas e daí? Essa gente crescida não entende que é preciso correr, que é necessário socar, empurrar e achincalhar. Que é fundamental irritar e encher os ouvidos com os gritos da professora, coitada, que esqueceu sua infância, porque vida de adulto é assim, um saco. E é repleta de uma coisa chamada responsabilidade, osso duro de roer cujo significado a meninada tem ouvido falar, mas não faz questão nenhuma de lembrar. Continue lendo “BRINCADEIRA DE CRIANÇA”

O TEMPO VOA

Comemoramos mais um aniversário em família. É… Heitor está mesmo envelhecendo! Qual o quê! Completou somente quatro anos – dirá alguém. Mas o ser humano é assim, dá início à contagem regressiva logo que bota os pesinhos no mundo. Constatação um tanto óbvia mas que me fez pensar sobre a passagem do tempo, implacável tempo que fora celebrado na festa do sábado. Continue lendo “O TEMPO VOA”

TERRA DE CONTRASTES

O homem dorme debaixo da marquise. Certamente a cachaça presta auxílio inestimável aos trapos e ao papelão que lhe cobrem o corpo em frangalhos. Vida dura esta de dormir ao relento. A sujeira também comparece com sua parcela de contribuição quando os termômetros batem os seis graus. A existência soa mesmo desumana para o homem, que é humano. Continue lendo “TERRA DE CONTRASTES”

BEIJO SANTO

O papa beijou a criança. A mãe derramou lágrimas de sincera beatitude. Eu, de minha parte, considero meio exagerado isso de chorar porque o santo padre esteve muito próximo de nós ou de alguém de nossa família. Percebi até um dedinho de tietagem no chororô da mulher. Então, pela autoridade que me fora conferida pelo grau de parentesco com aquela, decidi tecer comentário sutil, com o cuidado de não deixar transparecer a intenção oculta de criticá-la. Calei-me em seguida. É preciso prudência para não magoá-las, principalmente em questões ligadas à sua religiosidade. E também porque esperneiam, choram e falam muito. Continue lendo “BEIJO SANTO”

CORES PARA TODOS OS GOSTOS

Bafafá multicolorido a encher de burburinho o céu da cidade causa espalhafato e dá o que falar – palavras que encabeçam as manchetes. Parece até a primavera querendo chegar antes do inverno, o espetáculo repleto de alegria e festa a comemorar o direito adquirido de se exibirem as borboletas e os zangões. Tudo muito justo, admito. Só não consigo entender muito bem o motivo para tanto barulho. Continue lendo “CORES PARA TODOS OS GOSTOS”

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