Esperança não vem do verbo esperar, vem do verbo esperançar, palavras do grande educador e pensador Paulo Freire. Esperança é, por assim dizer, um anseio que faz parte da essência humana desde que o ser ganhou, com toda a justiça, o status de sapiens, o que, convenhamos, vem de longa data.
Continue lendo “ESPERANÇA, ALIMENTO DA ALMA”O ESCRIBA DE COISAS GRAÚDAS
Sou o escriba de coisas miúdas – dizia Machado de Assis. Causa-me, pois, certa inquietação, enquanto cronista, as poucas vezes em que também fui um escriba de coisas miúdas. Fato é que acontecimentos graúdos me impedem de dar a devida atenção aos retratos cotidianos, pitorescas imagens que fornecem a matéria prima para um sem fim de saborosas narrativas. Não obstante o universo de quadros miúdos a ser fartamente explorado, detenho-me, pois, em questões que, de forma alguma, podem ser deixadas de lado.
Continue lendo “O ESCRIBA DE COISAS GRAÚDAS”O CLIMA DÁ A RESPOSTA
Chovia antigamente. É certo que chove ainda hoje. Só que outrora chovia direitinho, no momento certo, sem inundações que engolem casas e gente mundo afora. E o paradoxo dos novos tempos ainda se impõe nos consideráveis períodos de seca aqui e acolá, que fazem lembrar o cenário de Graciliano. Incêndios devastadores também realçam o quadro de devastação, engolindo o verde e matando a criatura que nada fez para que tudo ocorresse dessa forma. Situação que se tornou corriqueira, e que já faz parte do sonho da geração atual vê-la alterada, uma vez que continuar a perambular por muito tempo sobre este solo arredondado, anseio de todos, depende disso.
Continue lendo “O CLIMA DÁ A RESPOSTA”INIMIGO MEU
O império decidiu que era hora de deixar o país distante e entregá-lo à própria sorte. Embarcou, pois, em acordo costurado pelo tresloucado governo passado, deixando à mercê do terror a gente do lugar.
Continue lendo “INIMIGO MEU”CRÔNICA DE UTILIDADE PÚBLICA
Em época de peste, em que muitos anseiam pela sua dose de vacina, de forma surpreendente, se depara o mundo com a presença inoportuna daqueles que negam a sua necessidade, como se fossem seres superdotados, como se seu sistema imunológico estivesse pronto para combater qualquer invasor em qualquer tempo. Se assim fosse, o tormento dos países seria bem menor: bastaria um pouco de sangue desses super-homens e supermulheres para se criar um antídoto que salvasse os demais. Perfeito, embora a realidade aponte noutra direção: a morte dessa supergente, às pencas.
Continue lendo “CRÔNICA DE UTILIDADE PÚBLICA”A ERA DA INCERTEZA
Definitivamente vivemos a era do medo. Medo da molécula e suas cópias, medo de golpe do governo, medo do desemprego, da fome, do desamparo… Medo também de um dia se perder o direito à livre expressão… Medo de se ter o confinamento como único meio de sobrevivência, ainda por muito tempo… Medo da solidão, medo da tristeza.
Continue lendo “A ERA DA INCERTEZA”E O PENSAMENTO VOA
Talvez porque faça parte da minha estrutura genética a dádiva do pensamento, procuro exercitá-la como se exercita os músculos. Considerando, claro, que o cérebro humano tenha sido concebido, a princípio, para pensar, a despeito de outras funções, da mesma forma, essenciais. Assim, quando exercitamos a mente em busca da informação apurada, do conhecimento, estamos ampliando e fortalecendo a nossa capacidade de reagir de forma sensata aos fenômenos que nos acometem diariamente.
Continue lendo “E O PENSAMENTO VOA”A BOCA PEQUENA COMENTA QUE…
Andam dizendo por aí que o poder executivo desta imensa república Tupinambá deixou de comprar vacinas na hora certa, e que, por isso, é o responsável pela morte por atacado que sobreveio sobre a população. Dizem ainda que centenas de milhares de vidas teriam sido poupadas caso o mesmo poder também não estimulasse a aglomeração e não fizesse mau juízo de quem faz uso da máscara, objeto considerado essencial pela ciência, por ser o único meio que impede a pessoa de inspirar ou expirar a molécula daninha. Não nos esqueçamos de que vivemos tempos pandêmicos, drama que não imaginávamos ver fora das telas um dia.
Continue lendo “A BOCA PEQUENA COMENTA QUE…”ESSÊNCIA
─ Seja bem vinda, essência!
─ Vossa excelência, você quer dizer. Mas, afinal, que lugar é esse?
Continue lendo “ESSÊNCIA”OLHO POR OLHO (conto)
Depois de um longo dia dedicado ao nada fácil trabalho de diarista, Fátima descansava um pouco no duro assento oferecido pelo serviço público aos usuários de ônibus que aguardam, ansiosos, o retorno para casa. Estava exausta, pois, além de dar duro para ganhar a vida, estudava em curso noturno que haveria de lhe oferecer uma oportunidade melhor. Pensava nisso e observava a noite de poucos transeuntes, na rua de pouco movimento. A condução custava a chegar naquela hora, e ela estava sozinha. Ansiava pelo retorno ao lar.
Continue lendo “OLHO POR OLHO (conto)”